Alertando nossos sentidos, podemos deixar de ser forasteiros na nossa própria cidade”. Com essa proposta, o Theatro Fúria dá início a uma nova etapa de circulação do ‘Laboratório Prático do Desanestesiamentos dos Sentidos’, o Lab Sentidos. Agora em formato de residência artística, as atividades pretendem despertar novos olhares à paisagem urbana e natural, estimulando a cidadania em intercâmbios, vivências, criações e novas parcerias.
Em sua 8ª edição, o projeto expande o alcance para além de Mato Grosso, estado de origem, chegando às cidades de Goiás Velho (GO), de 05 a 09 de maio, e Santos (SP), de 15 a 19 de julho. Mas a navegação começa ainda por Cuiabá (MT), na próxima segunda-feira (31), e segue na capital até 04 de abril. As inscrições já estão abertas pelo https://www.theatrofuria.com/lab-sentidos.
No Lab Sentidos, os tripulantes vivem uma imersão pelas cidades em uma sequência de cinco encontros diários, no período das 14 às 18h, somando 20h de residência. Essa é a primeira vez que o laboratório amplia sua duração, com dois encontros a mais na carga horária, possibilitando maior profundidade nas investigações e produções no novo formato de residência – um programa com recursos, espaços e metodologias para que artistas possam criar, pesquisar e experimentar.
Os locais de encontro são divulgados diretamente aos participantes inscritos, mas sabe-se que a navegação começa pelo centro histórico de cada cidade, ambientes carregados de sentidos construídos por gerações. Territórios férteis para o Lab que “tem a finalidade de se fazer perceber pelos participantes, como e porquê, somos educados e treinados desde a infância para anestesiar e empobrecer as nossas percepções em relação ao mundo que vivemos e a nós próprios”.
Além de sugestões de exercícios para readquirir os sentidos perdidos, os idealizadores do projeto Carolina Argenta e Péricles Anarckos, ambos atores de teatro e performers, destacam que se trata de um laboratório prático. Isso porque o objetivo é transformar a experiência em uma intervenção urbana a ser apresentada no encerramento dos trabalhos.
Encontro da diversidade de olhares
Segundo Péricles Anarckos, a ideia é estimular a atenção ativa a “como as coisas acontecem, quando e onde acontecem, e o porquê delas acontecerem. E finalmente, quem somos nós nos acontecimentos e o que fazemos durante esses acontecimentos”.
Portanto, o Lab Sentidos é voltado a qualquer pessoa que busca aprimorar suas percepções do contexto em que vive e se conectar com seus sentidos de forma mais ampla. Em especial, artistas e estudiosos, que buscam inspiração para seus processos de pesquisa e criação, como o próprio Theatro Fúria, que já transformou experiências do Lab Sentidos em material para o projeto ‘Furiosas Macchinas Historiadoras’.
“Buscamos o intercâmbio entre pessoas de áreas e interesses distintos, como artistas visuais, artistas da cena, historiadores, arquitetos, fotógrafos, estudantes, filósofos, jornalistas… Cada especialidade, saber e profissão tem um olhar treinado para perceber as coisas de forma diferente do outro. E essa diversidade ajuda a ampliar as possibilidades de leitura e interpretações do mundo durante o laboratório”, explica Carolina Argenta.
“Uma criatura historiadora poderá esclarecer e jogar luz em um aspecto da arquitetura urbana da zona explorada pelo grupo que talvez passasse batido sem a sua presença. O mesmo se espera com a presença de uma criatura bióloga na versão ‘NaturezaSelvagem’ do laboratório. Uma criatura da fotografia pode revelar ao grupo pontos de vistas estéticos não cotidianos tanto na versão ‘Urbanidade’ quanto na natureza selvagem”, exemplifica Péricles.
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