O radialista, produtor e apresentador Hilton Abi-Rihan faleceu nesta quarta-feira (23), aos 87 anos, no Rio de Janeiro, vítima de um AVC hemorrágico. Nascido em Mimoso do Sul, no Espírito Santo, Abi-Rihan iniciou sua carreira no rádio em 1957 como locutor na Rádio Difusora de sua cidade natal. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde integrou a equipe de repórteres da Rádio Continental, sob o comando de Carlos Palut. Lá, ajudou a formar os Comandos Continental, uma equipe que revolucionou o jornalismo radiofônico com reportagens externas e ao vivo, adotando o slogan “A Continental está onde a notícia está”. A equipe incluía nomes como Ary Vizeu, Peres Junior, Paulo Caringi, Afonso Soares e Celso Garcia.
Em 1976, Abi-Rihan transferiu-se para a Rádio Nacional, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), como chefe de Jornalismo, onde implementou coberturas extensas de eventos como o carnaval e a visita do Papa João Paulo II ao Brasil em 1980, da qual se orgulhava particularmente. Ele também atuou em emissoras de TV como a Continental, Bandeirantes e a extinta TV Tupi, onde apresentou crônicas de Gilson Amado. Na Rádio Nacional, criou o programa Nacional 80 com Washington Rodrigues e montou a cobertura ao vivo do julgamento de Ângela Diniz, assassinada por Doca Street em 1976, um caso emblemático de feminicídio que gerou protestos nacionais e debates sobre violência contra a mulher. A Rádio Nacional foi a única a transmitir o julgamento do Tribunal do Júri de Cabo Frio.
Mais tarde, na Rádio Globo, apresentou o Show da Madrugada com Washington Rodrigues na década de 90. Até recentemente, comandava o programa Samba & História na Boa Vontade TV e na Super Rede Boa Vontade de Rádio, narrando episódios da cultura brasileira. Thiago Regotto, gerente-executivo das Rádios da EBC, descreveu Abi-Rihan como uma figura cativante, espontânea e um grande amigo, conhecido como “Abi de Deus” por sua devoção católica. Ele deixa a esposa Clemens Abi-Rihan, com quem se casou na Rádio Nacional, dois filhos e dois netos.

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