Em mais um episódio que escancara as deficiências crônicas do sistema de saúde pública no Brasil, um sargento da Polícia Militar foi gravemente ferido em Maceió, no bairro Santa Lúcia, durante uma ocorrência conjunta com o Samu. O incidente, ocorrido na noite de quinta-feira (24), envolveu um paciente psiquiátrico de 22 anos em surto agressivo, que arremessou óleo quente no rosto e nas mãos do militar, causando queimaduras de primeiro grau em diversas regiões, incluindo as pálpebras. Esse tipo de violência não é mero acidente, mas o resultado direto de políticas governamentais ineficazes que abandonam indivíduos com transtornos mentais à própria sorte, forçando policiais a atuarem como substitutos de um atendimento especializado que simplesmente não existe.
O socorro ao sargento, inicialmente na UPA local e depois no Hospital Geral do Estado (HGE), culminou em alta médica, mas expõe a vulnerabilidade dos agentes de segurança em cenários de crise psiquiátrica. Equipes do Bope precisaram intervir para conter o agressor, que foi autuado por lesão corporal e encaminhado ao Hospital Portugal Ramalho – uma medida tardia que destaca o fracasso das autoridades em prevenir tais surtos por meio de investimentos reais em saúde mental. Governantes, tanto em Alagoas quanto no plano federal, preferem discursos vazios a ações concretas, deixando a sociedade refém de uma bomba-relógio social que explode em tragédias evitáveis.
É inadmissível que, em um país com recursos para megaproduções políticas, falte estrutura básica para lidar com transtornos mentais, sobrecarregando as forças policiais e colocando vidas em risco. Esse caso em Maceió não é isolado, mas um sintoma de um descaso sistêmico que clama por reformas urgentes, antes que mais inocentes paguem o preço da negligência estatal.

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