A embaixada dos Estados Unidos no Brasil tem adotado uma postura cada vez mais agressiva e interferente nos assuntos internos do país, replicando mensagens ameaçadoras contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Em uma postagem recente no X, o subsecretário de Diplomacia Pública, Darren Beattie, acusou Moraes de ser o “coração pulsante” da suposta perseguição e censura contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, especialmente após o magistrado detalhar medidas restritivas impostas a ele. Essa retórica, que evoca a liderança de Donald Trump e do secretário de Estado Marco Rubio, sugere “providências” vagas, mas concretas como a suspensão de vistos para Moraes e outros sete ministros do STF, incluindo familiares, revelando uma diplomacia que mais parece vingança política do que defesa de princípios democráticos.
Essa escalada não é isolada: a embaixada, atualmente sem embaixador e gerida pelo encarregado de negócios Gabriel Escobar, tem se notabilizado por postagens em tom incomum, como a que usa uma cena do filme E.T. para advertir imigrantes ilegais a deixarem os EUA. Ao republicar o texto de Rubio, que critica abertamente as ações de Moraes como uma “caça às bruxas” que afeta até cidadãos americanos, a representação diplomática ignora protocolos tradicionais e parece priorizar uma agenda ideológica alinhada ao trumpismo. Tais atitudes não apenas tensionam as relações bilaterais, mas questionam a soberania brasileira, transformando a embaixada em palanque para disputas internas.
Não é a primeira vez que a embaixada amplifica ameaças de Beattie; em julho, reproduziu uma postagem citando a carta de Trump a Lula, que impôs tarifas sobre exportações brasileiras em retaliação aos “ataques” contra Bolsonaro e à liberdade de expressão. Essa estratégia de pressão econômica e diplomática, disfarçada de defesa democrática, expõe uma hipocrisia gritante, pois os EUA, sob Trump, têm histórico de censurar vozes dissidentes em seu próprio território. O Brasil precisa responder com firmeza a essa intromissão, preservando sua autonomia judicial e evitando que relações internacionais sejam reféns de caprichos eleitorais.

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