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A sabedoria das corujas perdida na indiferença ambiental

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Em meio ao caos das políticas ambientais frouxas que assolam o Brasil, a história de Jorge Souza, um químico e observador de aves de Guararema (SP), serve como um lembrete amargo de tudo o que estamos perdendo. Nascido na roça e marcado pelo contato profundo com a natureza, Jorge flagrou recentemente uma família de jacurutus, as maiores corujas noturnas do país, na estrada municipal Delmiro Pereira de Souza – ironicamente batizada em homenagem a seu pai falecido. Enquanto ele celebra a reprodução dessas aves majestosas em um trecho de Mata Atlântica, o que se destaca é a fragilidade desse habitat, ameaçado pela expansão urbana e pela negligência governamental que prioriza o desenvolvimento predatório sobre a preservação. Jorge, que visitou biomas como Amazônia e Pantanal, relata emoções com espécies raras, mas sua reflexão sobre o “respeito pela natureza” soa como uma crítica velada à sociedade que ignora lições ancestrais, preferindo o barulho das máquinas ao canto das aves.

Pior ainda é constatar como avanços tecnológicos e o acúmulo de conhecimento nos distanciam da verdadeira sabedoria simbolizada pelas corujas, como opina o próprio Jorge. Em maio, ele registrou filhotes de jacurutu saindo do ninho, criaturas de olhares curiosos e penugens brancas, em um ambiente propício para caça de presas como ratos e morcegos. No entanto, esse mesmo casal já se reproduziu antes, em 2024, destacando a resiliência da espécie em bordas de mata cada vez mais pressionadas pela ação humana. O tom negativo aqui é inevitável: enquanto Jorge ouve ecos da voz de seu pai na mata, evocando lições de humildade forjadas no cabo da enxada, as políticas ambientais atuais parecem surdas a esses apelos, permitindo que biomas inteiros sejam devorados pela ganância. É uma tragédia que tal beleza natural, flagrada em Guararema, possa ser apenas uma relíquia passageira em um país que falha em proteger seu patrimônio ecológico.

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