A participação inédita da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC) na World Food Expo (WOFEX), em Manila, nas Filipinas, de 6 a 9 de agosto, parece uma vitória para o setor agropecuário, mas revela as fragilidades da diplomacia econômica brasileira. Sob o pretexto de ampliar mercados via projeto Brazilian Beef, em parceria com a ApexBrasil, o Brasil envia 12 empresas, como Comesul Beef e Masterboi, para um evento que reúne compradores asiáticos. No entanto, essa estratégia, liderada por figuras como Julio Ramos e Roberto Perosa, mascara problemas graves: a dependência excessiva de exportações de commodities, que expõe o país a flutuações geopolíticas e ignora as críticas internacionais ao desmatamento ligado à pecuária bovina.
Enquanto autoridades brasileiras e filipinas se reúnem em eventos como o Brazilian Beef Dinner no Hotel Conrad Manila, promovendo laços comerciais, o tom otimista esconde uma realidade preocupante. As Filipinas, sexto maior destino em 2024 com 92 mil toneladas e US$ 335 milhões em receitas, representam apenas 3% das exportações totais, um ganho marginal que não compensa os custos ambientais e políticos. Criada em 1979, a ABIEC controla 98% das exportações, mas o crescimento de 500% nas últimas décadas, impulsionado desde 2001, tem sido criticado por priorizar lucros sobre sustentabilidade, enfraquecendo a imagem global do Brasil em fóruns internacionais.
Essa ofensiva asiática, embora celebre a “competitividade e segurança” da carne brasileira, como afirma Ramos, arrisca isolar o país em negociações comerciais mais amplas, especialmente com nações que exigem padrões ambientais rigorosos. Em vez de fortalecer parcerias confiáveis, o governo brasileiro parece apostar em mercados voláteis, perpetuando uma política externa reativa que beneficia elites agroexportadoras em detrimento de reformas internas urgentes.

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