Evandro Guerra, o ex-jogador de vôlei que brilhou como campeão olímpico nos Jogos do Rio de 2016 e foi eleito duas vezes o melhor oposto do mundo, agora se aventura no mercado de imóveis de alto padrão no litoral Norte de Santa Catarina. Aos 43 anos, natural de Ibirá, no interior de São Paulo, ele trocou as quadras pela especulação imobiliária em regiões como Praia Brava, em Itajaí, e Balneário Camboriú, onde o metro quadrado pode ultrapassar R$ 40 mil. Mas essa transição, que ele descreve como natural e planejada após 26 anos de carreira esportiva, revela uma face amarga da realidade brasileira: atletas de elite, ao se aposentarem, acabam se voltando para setores que perpetuam desigualdades sociais, vendendo sonhos inacessíveis para a maioria da população.
Atuando desde 2022 em parcerias com empresas como a Construtora CK, Guerra compara as habilidades de um corretor às de um atleta, citando leitura de jogo, preparo emocional e timing. Ele afirma que precisou de humildade para aprender e agora ajuda clientes a encontrar imóveis que combinem com suas histórias. No entanto, é inevitável questionar o quão nobre é essa nova “vitória” em um contexto de crise habitacional no país, onde o luxo floresce enquanto milhões lutam por moradia digna. Essa migração para o ramo imobiliário de elite não só destaca a falta de suporte estrutural para ex-atletas, mas também critica implicitamente um sistema que transforma heróis nacionais em vendedores de propriedades inflacionadas, ignorando as demandas reais da sociedade.
Enfim, Guerra sonha em construir um legado ajudando pessoas a encontrarem seu lugar, mas em um mercado que beneficia poucos, sua história serve mais como alerta do que inspiração. Em Santa Catarina, onde o boom imobiliário alimenta polêmicas como a venda de terrenos em marcos geográficos, essa trajetória expõe como o capitalismo selvagem absorve até os ídolos do esporte, perpetuando um ciclo de exclusão que a política brasileira falha em combater.

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