Um novo estudo publicado na revista Nature Ecology & Evolution utilizou DNA antigo para traçar as origens dos gatos domésticos, analisando amostras de mais de 200 restos felinos datados entre 8.500 a.C. e o século XX. Pesquisadores, incluindo equipes da França e da Noruega, descobriram que os gatos foram domesticados inicialmente no Crescente Fértil, região que inclui partes do Oriente Médio, onde humanos agricultores atraíram felinos selvagens para controlar pragas como roedores. Essa domesticação ocorreu há cerca de 10.000 anos, coincidindo com o surgimento da agricultura.
A pesquisa revela que os gatos se espalharam pela Eurásia e pela África por meio de rotas comerciais antigas, com uma linhagem significativa vinda do Egito Antigo, onde os felinos eram reverenciados e mumificados. O DNA indica que gatos egípcios contribuíram geneticamente para populações globais a partir do final do período clássico, misturando-se com gatos selvagens locais na Europa. Surpreendentemente, o estudo encontrou evidências de gatos em sítios vikings na Groenlândia, sugerindo que os navegadores nórdicos os levavam em suas viagens para controlar ratos em navios.
Essas descobertas desafiam visões anteriores que associavam a domesticação exclusivamente ao Egito, destacando um processo gradual impulsionado por interações humanas. Os cientistas enfatizam que, ao contrário dos cães, os gatos mantiveram muita independência genética, com pouca evidência de seleção artificial intensa. O trabalho, liderado por geneticistas como Eva-Maria Geigl, do Instituto Jacques Monod, em Paris, fornece insights sobre como os gatos conquistaram o mundo ao lado dos humanos.
