A análise de microdados da Pesquisa Nacional de Saúde de 2019 revelou que a incidência de tabagismo entre pessoas homossexuais e bissexuais é 76% maior do que entre heterossexuais no Brasil. A prevalência atinge 22,4% nesse grupo, contra 12,7% entre heterossexuais, com destaque para o consumo de vapes, quase seis vezes superior. Os dados foram apresentados em 25 de junho de 2026, no Rio de Janeiro, pelo Instituto Nacional do Câncer durante evento que discutiu saúde da população LGBTI+.
Impactos na saúde e vulnerabilidades
O tabagismo representa o principal fator de risco para doenças crônicas como cardiovasculares, cânceres e respiratórias, o que amplia os impactos negativos sobre a saúde e a qualidade de vida dessas pessoas. Preconceito, violência e LGBTIfobia contribuem para quadros de depressão e ansiedade, elevando a vulnerabilidade ao uso de tabaco. A indústria tabagista direciona ações de marketing específicas para o grupo, agravando o cenário.
Desafios para o sistema de saúde
Especialistas destacam a necessidade de protocolos específicos nas unidades de saúde para atender de forma efetiva essa população. A integração entre políticas de controle do tabaco e ações voltadas à saúde LGBTI+ é recomendada para reduzir o consumo e promover mais anos de vida com qualidade.
O tabagismo é o principal fator de risco para doenças crônicas, como doenças cardiovasculares, cânceres, doenças respiratórias. Então, essa prevalência vai ter mais impactos sobre a saúde e a vida dessas pessoas
Aline Mesquita
Como os serviços de saúde vão tratar essas pessoas de uma forma efetiva para que elas reduzam o fumo? A gente precisa de um protocolo para as unidades de saúde colaborarem para aquela pessoa ter uma saúde física e mental melhor e mais anos de vida
Denise Taynah
Em uma atividade feita pela liga, a gente perguntou para os meninos se eles fumavam e em que período eles começaram e coincidia com um momento de ansiedade, de violência. E quando eles sofriam mais violência era quando eles consumiam mais
Gab Van
