O presidente do Instituto Vladimir Herzog, Rogério Sottili, enviou carta ao ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal, alertando para o risco de interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026. O documento foi redigido após viagem realizada pelo remetente aos Estados Unidos, onde ele manteve contatos com lideranças políticas e representantes da sociedade civil. A preocupação central gira em torno de uma possível recusa do governo de Donald Trump em reconhecer o resultado do pleito presidencial marcado para este ano.
Alerta sobre ingerência externa nas eleições
Sottili destaca que já há sinais de atuação externa no processo eleitoral brasileiro e que essa tendência tende a se intensificar. A carta menciona também a atuação da Organização dos Estados Americanos sob eventuais pressões internacionais. O objetivo do envio é chamar atenção do Judiciário para cenários que poderiam comprometer a legitimidade do resultado das urnas.
Já existe ingerência externa por parte dos Estados Unidos e há um indício muito forte de que, sim, a tendência seguirá nesta crescente com relação às eleições brasileiras para a presidência e o possível não reconhecimento do resultado ao pleito
Rogério Sottili
Riscos para a independência do judiciário
Segundo o texto, um questionamento internacional do resultado pode deixar de ser apenas questão diplomática e passar a ser usado internamente para deslegitimar decisões judiciais. O presidente do instituto ressalta ainda a possibilidade de estímulo ao descumprimento da Constituição e ataques à independência do Poder Judiciário.
Um eventual questionamento internacional do resultado eleitoral pode deixar de ser apenas um problema diplomático quando passa a ser utilizado internamente para deslegitimar decisões judiciais, estimular o descumprimento da Constituição, atacar a independência do Poder Judiciário ou sustentar iniciativas voltadas à ruptura da ordem democrática
Rogério Sottili
A manifestação chega em momento de preparativos para o pleito de outubro e reforça a necessidade de vigilância institucional para preservar a soberania do processo eleitoral brasileiro. Fachin ainda não se manifestou publicamente sobre o conteúdo da carta.
