O número de pessoas com doenças inflamatórias intestinais no Brasil quintuplicou entre 2012 e 2025, saltando de 30 para 158 casos por 100 mil habitantes, segundo estudo apresentado pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia. A incidência anual de novos diagnósticos também subiu, passando de 9,35 para 12,34 por 100 mil habitantes, com projeções que indicam 264 casos por 100 mil habitantes até 2035. Os dados, extraídos de registros do Sistema Único de Saúde, foram analisados por pesquisadores de instituições brasileiras e canadenses.
Fatores por trás do aumento
Pesquisadores Abel Quaresma, da Unoesc, e Paulo Kotze, da PUC-PR, em parceria com as universidades de Calgary, USP e Unicamp, destacam o caráter multifatorial das doenças. Elementos genéticos combinam-se a mudanças ambientais, como poluição e alterações na dieta, especialmente o maior consumo de alimentos ultraprocessados. O levantamento foi apresentado durante o 74º Congresso Brasileiro de Coloproctologia, realizado em setembro de 2026 em Balneário Camboriú, Santa Catarina.
Impacto no sistema de saúde
As doenças inflamatórias intestinais, antes consideradas raras até cerca de 2015, agora mostram crescimento acelerado em todo o mundo, inclusive no Brasil. Pacientes costumam receber o diagnóstico ainda jovens e precisam de acompanhamento médico por décadas, o que representa desafio crescente para o SUS. Projeções indicam que, a partir de 2040, essas condições podem se tornar problema de saúde pública comparável a hipertensão e diabetes.
A gente não sabe o fator causal ainda. A gente sabe que são doenças multifatoriais. Tem a genética, a poluição, os hábitos alimentares. Nossa dieta mudou muito nos últimos anos.
Abel Quaresma
Especialistas alertam ainda para a longa validade de produtos industrializados como indicador das transformações alimentares recentes. O estudo reforça a necessidade de maior atenção à prevenção e ao diagnóstico precoce para conter o avanço das doenças inflamatórias intestinais no país.
