O Amapá registrou o maior crescimento na movimentação de cargas nos portos da Região Norte em maio de 2025, saltando de 131 mil para 229 mil toneladas, um aumento de 74% em relação ao mesmo período de 2024, segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Esse desempenho, impulsionado principalmente pela soja, que dobrou de 817 mil para 1,6 milhão de toneladas, além de fertilizantes e bauxita, reflete um aparente vigor econômico. No entanto, é preciso questionar se esse boom não mascara uma dependência excessiva de exportações de commodities, deixando o estado vulnerável a flutuações globais de preços e sem diversificação real para sustentar o desenvolvimento local.
Enquanto o porto de Santana se posiciona como o terceiro maior exportador da região, atrás de Vila do Conde e Santarém, ambos no Pará, com movimentações totais na Norte alcançando 3,7 milhões de toneladas, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, celebra o “enorme potencial logístico” e promete intensificar investimentos públicos e privados. Mas essa retórica otimista soa vazia diante da realidade: sem políticas robustas para mitigar impactos ambientais na foz do Rio Amazonas e gerar empregos qualificados, esses avanços correm o risco de se tornar meras estatísticas passageiras, beneficiando mais elites empresariais do que a população local.
Criticamente, o foco em modais estratégicos, como defendido pelo ministro, ignora a necessidade de uma visão integrada que inclua sustentabilidade e inclusão social, especialmente em uma região marcada por desigualdades. Se o governo não transformar promessas em ações concretas, o crescimento do Amapá pode evaporar tão rápido quanto surgiu, reforçando o ciclo de subdesenvolvimento na Amazônia.

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