O recente censo do Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF) revela uma realidade alarmante: o número de pessoas em situação de rua na capital saltou para 3.521, um aumento de 19,8% em relação a 2022, quando eram 2.938. Essa escalada não é apenas um dado estatístico, mas um atestado de falha nas políticas sociais do governo local, que parece incapaz de conter o avanço da miséria urbana. Enquanto a população adulta entre 31 e 49 anos representa mais da metade (51,3%) desses indivíduos, concentrados em áreas como o Plano Piloto (25,5%) e Ceilândia (20,4%), a redução de 50,4% no número de crianças – de 244 para 121 – mascara uma crise mais profunda, sugerindo que as famílias estão sendo dilaceradas pela falta de apoio efetivo.
Pior ainda é a situação dos animais de estimação, que acompanham 14,9% desses moradores, totalizando 572 bichos, majoritariamente cachorros (90,7%). A baixa vacinação antirrábica – apenas 46,1% dos cães e 27,5% dos gatos – expõe uma negligência sanitária que coloca em risco não só os tutores, mas toda a sociedade, em um descaso que reflete a ineficiência dos serviços públicos. Esses animais, longe de serem um conforto, agravam as barreiras: 16,9% dos respondentes relatam dificuldades em estabelecimentos, 13% em restaurantes comunitários e até em unidades de saúde (8,8%), provando que as políticas de assistência no DF são excludentes e mal planejadas.
Essa conjuntura demanda uma reflexão urgente sobre a priorização orçamentária e a execução de programas sociais, pois ignorar esses números é compactuar com a invisibilidade de uma população vulnerável, cuja expansão sinaliza o fracasso de um modelo político que privilegia aparências em detrimento da equidade.

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