quarta-feira , 11 março 2026
Início Opinião Brasil expande carne bovina nas Filipinas, mas ignora riscos geopolíticos e ambientais
Opinião

Brasil expande carne bovina nas Filipinas, mas ignora riscos geopolíticos e ambientais

112

A participação inédita da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC) na World Food Expo (WOFEX), em Manila, nas Filipinas, de 6 a 9 de agosto, parece uma vitória para o setor agropecuário, mas revela as fragilidades da diplomacia econômica brasileira. Sob o pretexto de ampliar mercados via projeto Brazilian Beef, em parceria com a ApexBrasil, o Brasil envia 12 empresas, como Comesul Beef e Masterboi, para um evento que reúne compradores asiáticos. No entanto, essa estratégia, liderada por figuras como Julio Ramos e Roberto Perosa, mascara problemas graves: a dependência excessiva de exportações de commodities, que expõe o país a flutuações geopolíticas e ignora as críticas internacionais ao desmatamento ligado à pecuária bovina.

Enquanto autoridades brasileiras e filipinas se reúnem em eventos como o Brazilian Beef Dinner no Hotel Conrad Manila, promovendo laços comerciais, o tom otimista esconde uma realidade preocupante. As Filipinas, sexto maior destino em 2024 com 92 mil toneladas e US$ 335 milhões em receitas, representam apenas 3% das exportações totais, um ganho marginal que não compensa os custos ambientais e políticos. Criada em 1979, a ABIEC controla 98% das exportações, mas o crescimento de 500% nas últimas décadas, impulsionado desde 2001, tem sido criticado por priorizar lucros sobre sustentabilidade, enfraquecendo a imagem global do Brasil em fóruns internacionais.

Essa ofensiva asiática, embora celebre a “competitividade e segurança” da carne brasileira, como afirma Ramos, arrisca isolar o país em negociações comerciais mais amplas, especialmente com nações que exigem padrões ambientais rigorosos. Em vez de fortalecer parcerias confiáveis, o governo brasileiro parece apostar em mercados voláteis, perpetuando uma política externa reativa que beneficia elites agroexportadoras em detrimento de reformas internas urgentes.

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Notícias relacionadas

Prédio da GoiásFomento em Goiânia, com notas de real e contraste de desigualdades urbanas no cerrado goiano.
OpiniãoPolítica

GoiásFomento libera R$ 59,6 milhões, mas gera só 3 mil empregos e falha contra desigualdades

GoiásFomento libera R$59,6 milhões em 2025, gerando apenas 3 mil empregos e...

Opinião

Paula Santana: uma trajetória inspiradora com merecido reconhecimento

Em um mundo jornalístico cada vez mais dinâmico e desafiador, Paula Santana...

Opinião

A ‘suíte’ presidencial: desvendando o luxo forçado da cela de Bolsonaro na PF

Ah, o destino irônico dos poderosos! Imagine Jair Bolsonaro, o ex-presidente que...

Opinião

Bebidas envenenadas: o brinde letal do crime e a preguiça federal

Ah, que delícia deve ser tomar um gole de cachaça ou uísque...