Moradora do Plano Piloto, Melissa Goelzer de Camargo, 19 anos, está entre os 12 estudantes que alcançaram nota máxima na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2024. Ontem, enquanto curtia a praia no Rio de Janeiro, ao lado da família, foi surpreendida ao abrir o portal para verificar seu desempenho e perceber que a possibilidade de cursar medicina na Universidade de Brasília (UnB) é cada vez mais real.
O apreço pela medicina não vem de agora. Sempre matriculada em escolas da rede privada, pensa em ser dermatologista desde que estava no 8º ano do ensino fundamental. Fez da vontade um combustível para chegar aonde almeja. Em 2023, quando finalizou o ensino médio, no Colégio Militar de Brasília (CMB), havia realizado o exame, mas não alcançou nota suficiente para o que queria. Decidiu, então, matricular-se em um curso pré-vestibular e, a partir dali, a unidade da Academia das Específicas, na Asa Sul, passou a ser quase que sua segunda casa.
Ainda que estivesse ciente da própria disciplina, nem ela mesma acreditava que chegaria aonde chegou — no topo, ao lado de outros 11 estudantes brasileiros. Segundo ela, escrever a redação dissertativa-argumentativa sobre os desafios para a valorização da herança africana no Brasil não foi exatamente fácil. “Eu achei o tema da redação tranquilo de entender, mas difícil de desenvolver. Apesar disso, fiquei tranquila porque sabia o que fazer nesses casos, mas não imaginei que tiraria nota máxima, tomei um susto quando olhei. Estava na praia com minha família, todo mundo comemorou comigo”, disse.
Ao Correio, Melissa confidenciou que não se saiu tão bem nas demais áreas, mas acredita no sonho e já tem outras rotas calculadas. “Se eu não passar na UnB, vou tentar na Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS) ou irei para Minas Gerais”, contou.
Carla Rios, professora de redação do curso pré-vestibular Academia das Específicas, foi uma das profissionais a acompanhar Melissa nos preparos para a prova. Ela afirmou que a dedicação da estudante foi essencial para que o resultado fosse alcançado. “É a culminância de um preparo, porque a Melissa frequentava as aulas, fazia as redações e o resultado vem principalmente do esforço dela, de consistentemente estar se dedicando”, disse.
A rotina de estudos não era simples. Uma vez por semana, além dos estudos focados nas demais áreas, Melissa passava 1h25 na unidade do curso localizada na Asa Sul preparando-se exclusivamente para a redação. “As aulas funcionavam com base nas competências do Enem e em como se aperfeiçoar em cada uma delas, além das discussões temáticas, tanto baseadas em temas anteriores como em eixos temáticos que poderiam cair na prova. A gente tinha tanto aulas de estruturas quanto aulas para analisar a situação histórica do Brasil, da sociedade brasileira e repertórios socioculturais”, apontou a professora.
Àqueles que querem, assim como Melissa, alcançar nota máxima na redação do exame, a professora deixou um conselho: “A redação, em específico, é uma disciplina muito prática, então é preciso haver treino constante. Por mais que às vezes pareça que está tudo tranquilo, o diferencial na nota sempre é a constância no estudo e o quanto você está praticando. Não existe fórmula mágica, principalmente para uma prova como o Enem”, indicou.
Deixe um comentário