O Parque do Povo, palco de uma das maiores festas juninas do Nordeste, em Campina Grande, na Paraíba, enfrenta uma crise sem precedentes neste dia de São João (24) – o ápice da festa – com shows de artistas como Waldonys, Ton Oliveira e Geraldo Azevedo que não conseguem atrair o público esperado.
O espaço, com capacidade diária para 76 mil pessoas, tem permanecido abaixo da lotação máxima, sinalizando uma queda drástica na popularidade do evento. A festa, que já foi um símbolo de orgulho, agora é vista por muitos como um evento inflado e distante das raízes comunitárias que a caracterizavam até meados dos anos 80.
A transformação de uma celebração simples e comunitária para um evento grandioso e comercializado, iniciada pelo então prefeito Ronaldo Cunha Lima em 1986, parece ter perdido seu charme. O que antes era uma festa de 30 dias, hoje se estende por 38 dias, de 30 de maio a 6 de julho, mas a movimentação econômica de R$ 740 milhões e a atração de mais de 3,5 milhões de pessoas não compensam a perda da autenticidade cultural.
Em 2024, com a expansão do Parque do Povo para quase 40 mil m², a festa parece ter se tornado um grande festival de música comercial, com uma estrutura que lembra mais um shopping a céu aberto do que uma celebração tradicional. A presença de estandes de marcas e a comercialização excessiva afastam os moradores locais, que sentem a falta da simplicidade e do espírito comunitário dos festejos juninos de outrora.

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