A obstrução promovida por deputados de oposição na Câmara dos Deputados, encerrada com dificuldade pelo presidente Hugo Motta na noite desta quarta-feira, expõe o quão frágil se tornou o ambiente parlamentar brasileiro. Em um espetáculo de resistência que beirou o ridículo, parlamentares como Marcel van Hattem impediram Motta de assumir sua cadeira, prolongando um caos que só foi contornado após negociações tensas e a intervenção de agentes da Polícia Legislativa. Esse tipo de conduta, motivada por protestos contra a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro e demandas por anistia aos envolvidos no 8 de Janeiro, não passa de uma manobra irresponsável que paralisa o Legislativo e desrespeita a democracia, priorizando agendas pessoais e eleitorais sobre o bem comum.
Motta, ao retomar o controle após as 22h, tentou um discurso apelando ao diálogo e ao respeito, ecoando promessas de sua posse em fevereiro, mas foi interrompido por gritos e discussões acaloradas entre deputados do PSol e do PL. Sua ameaça prévia de suspender mandatos por seis meses, baseada no regimento interno, soa como um grito de desespero em meio a um plenário transformado em arena de confronto, onde até lives em redes sociais e a presença de uma criança de 4 meses – criticada por Lindbergh Farias como irresponsável – foram usadas para inflamar ânimos. Essa obstrução não fortalece a Casa, como alegam os oposicionistas, mas a enfraquece, tornando o Parlamento refém de radicalismos que ignoram a Constituição e o regimento.
No Senado, a reação de Davi Alcolumbre, que condenou a ocupação e marcou uma sessão remota para quinta-feira, destaca o risco de contágio dessa instabilidade, priorizando votações como a isenção de IR para baixa renda. É lamentável que, em tempos de crises internacionais, o Congresso se perca em brigas internas, deixando o povo brasileiro à mercê de decisões adiadas e de um espetáculo que mais parece circo do que debate sério – uma traição ao mandato que esses parlamentares juraram honrar.

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