Dados do Censo de 2022 revelam um aumento significativo no número de evangélicos no Brasil, passando de pouco mais de 20% em 2010 para quase 27% da população. Este crescimento é notável, especialmente em um país com uma forte tradição de religiosidade, como destaca o teólogo Ronilso Pacheco. A expansão evangélica tem implicações sociais e políticas que merecem atenção crítica.
A visita ao Quilombo de Baía Formosa, em Búzios, revela uma interessante coexistência entre tradições culturais quilombolas e a prática evangélica. Elizabeth Fernandes Teixeira, presidente da Associação Cultural do Quilombo, afirma que a escolha religiosa não interfere na preservação da cultura local, mas sim a complementa, mostrando uma harmonização de identidades.
Em assentamentos do MST, como Rosali Nunes e Terra da Paz em Piraí, a presença evangélica também é notável. Antenor Gil de Souza, agricultor e morador do Assentamento Terra da Paz, ressalta a importância da fé na luta pela terra, enquanto sua esposa, Sirlei Maria Lopes Gil de Souza, enfatiza a diversidade religiosa dentro do movimento, sem preconceitos. Este cenário sugere uma complexa interação entre fé e luta social, que merece um olhar crítico sobre como a religião pode influenciar e ser influenciada por movimentos políticos e sociais no Brasil.

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