A pesquisadora Zsuzsanna Rutai, referência internacional em empoderamento e salvaguarda infantil, defende que as crianças devem ter o direito de opinar em temas que lhes afetam, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e na Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança. Durante sua visita ao Brasil, Zsuzsanna destacou que, mesmo após décadas de implementação dessas leis, muitas nações ainda não garantem esse direito de forma plena.
Segundo Zsuzsanna, a participação das crianças em debates sobre políticas que as afetam é frequentemente subestimada. “Quando crianças defendem seus direitos, não são levadas a sério. Sua posição é questionada”, afirmou. A especialista, com experiência no Conselho da Europa e no Comitê de Lanzarote, criticou a falta de espaços de participação, que muitas vezes se manifesta de forma sutil, como a repressão escolar contra crianças ativistas.
Para enfrentar esse desafio, Zsuzsanna está desenvolvendo um currículo de formação em parceria com o Instituto Alana, que visa sensibilizar tomadores de decisão e formar crianças ativistas. O projeto-piloto, chamado Agora e o Futuro, será implementado em quatro países: Brasil, Togo, Moldávia e Tailândia, começando em São Paulo. A ideia é que esse currículo não formal ajude as crianças a conhecer e defender seus direitos de maneira interativa e significativa.

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