Em uma audiência que mais parece um teatro de evasivas, dois réus acusados de integrar uma trama para golpe de Estado no Brasil depuseram nesta quinta-feira no Supremo Tribunal Federal, negando veementemente qualquer irregularidade. O agente da Polícia Federal Marcelo Araújo Bormevet, que atuou na Abin entre 2019 e 2022, rejeitou acusações de espionar adversários políticos de Jair Bolsonaro ou disseminar fake news sobre ministros como Luiz Fux e Luís Roberto Barroso. Sua defesa, repleta de “não me recordo”, soa como uma amnésia seletiva conveniente, especialmente ao admitir pesquisas sobre um sobrinho de Barroso, mas alegando que eram meras trocas particulares sem intenções maliciosas. Essa postura crítica revela como figuras do poder se valem de lacunas de memória para escapar de responsabilidades graves, minando a credibilidade de instituições como a Abin.
Já o ex-major do Exército Ailton Moraes Barros, expulso da força em 2008, negou pressionar militares para aderir ao golpe, atribuindo contatos com o general Braga Netto a meros interesses eleitorais. Ele justificou publicações nas redes sociais, que marcavam o general Freire Gomes e defendiam posturas radicais, como uma estratégia para ganhar seguidores – uma desculpa que beira o ridículo em meio a acusações de organização criminosa. Tais depoimentos destacam a hipocrisia de ex-militares que, sob o manto de lealdades antigas a Bolsonaro, parecem dispostos a distorcer fatos para preservar narrativas golpistas.
Esses relatos integram o Núcleo 4 da investigação, que inclui nomes como Giancarlo Rodrigues e Ângelo Denicoli, acusados de desinformação sobre urnas eletrônicas e ataques a autoridades. Com penas potenciais superiores a 30 anos, o caso expõe a fragilidade da democracia brasileira, onde tentativas de subverter o Estado de Direito são defendidas com negações frágeis, exigindo do STF uma resposta firme para coibir esses retrocessos autoritários.

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