Cercada pelas montanhas do Parque da Serra do Mendanha, em Vila Aliança, zona oeste do Rio de Janeiro, mora Anazir Maria de Oliveira, a Dona Zica, de 92 anos. Sua casa, de porta sempre aberta, é um ponto de encontro para crianças e comunidade. Dona Zica, além de coordenadora na Pastoral Afro-Brasileira da Arquidiocese do Rio, é uma referência política e social no bairro que ajudou a urbanizar.
Dona Zica, nascida em Manhumirim, Minas Gerais, foi uma das fundadoras do Sindicato dos Trabalhadores Domésticos do Rio de Janeiro, da CUT e do PT nos anos 1980. Sua luta começou cedo, aos 9 anos, quando trabalhou sem salário por três meses. Hoje, essa prática é proibida, reconhecida como uma das piores formas de trabalho infantil.
Sua chegada ao Rio aos 11 anos foi em busca de melhores condições de vida, deixando para trás uma história de perda. Em 2025, Dona Zica completou 92 anos junto com os 10 anos da Lei Complementar 150, que regulamentou os direitos das domésticas, incluindo FGTS, seguro-desemprego, e outras garantias trabalhistas.
A luta de Dona Zica, no entanto, é anterior a essas conquistas. Até 2013, as domésticas não tinham direito a folga semanal remunerada, um benefício que dependia da vontade dos patrões. Sua participação na Constituinte de 1988 foi crucial para reconhecer as domésticas como uma categoria profissional, garantindo-lhes direitos básicos como férias e 13º salário.

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