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Expoema no Maranhão: parceria governamental que mascara ineficiências no setor rural

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Enquanto o Maranhão enfrenta desafios crônicos no desenvolvimento rural, como a falta de investimentos substanciais em infraestrutura e apoio aos pequenos produtores, o governo estadual opta por parcerias em eventos como a 65ª Expoema, que começa neste domingo (31) no Parque Independência, em São Luís. Realizada pela Associação dos Criadores do Maranhão (Ascem) com apoio de secretarias estaduais, incluindo a de Cultura, e financiada via Lei Estadual de Incentivo à Cultura, a feira promete exposições de bovinos, equinos, ovinos e caprinos, além de leilões e competições. No entanto, essa abordagem parece mais uma estratégia para mascarar a estagnação do setor agropecuário, impulsionando uma imagem de progresso ilusório em vez de soluções reais para os problemas que afligem os produtores rurais há décadas.

A programação, que se estende até 7 de setembro com entrada gratuita, inclui mais de dez shows de artistas como Maiara e Maraisa, Leonardo, Zé Vaqueiro e Aline Barros, misturando entretenimento com uma suposta celebração de 65 anos de trajetória. Mas é questionável o uso de recursos públicos para atrações que priorizam lazer e diversão, especialmente em uma noite dedicada a louvor e adoração com Deive Leonardo e Aline Barros, enquanto questões urgentes como a desigualdade no campo e a precariedade das políticas agrícolas permanecem negligenciadas. Essa parceria governamental soa como uma distração populista, beneficiando elites do agronegócio em detrimento de reformas estruturais que poderiam verdadeiramente impulsionar o desenvolvimento rural no estado.

Em um contexto político onde o governo do Maranhão busca visibilidade positiva, eventos como a Expoema revelam uma priorização equivocada, transformando incentivos culturais em ferramentas de propaganda. Com atividades como torneios leiteiros e provas de hipismo, a feira pode até movimentar o setor temporariamente, mas falha em abordar as raízes da ineficiência agrícola, deixando os maranhenses adultos a questionar se tais iniciativas não são mero desperdício de oportunidades para mudanças reais.

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