Enquanto o Brasil enfrenta uma das piores crises ambientais de sua história, com desmatamento recorde na Amazônia e políticas governamentais que priorizam o agronegócio em detrimento da sustentabilidade, o Museu de Arte de São Paulo (Masp) celebra um suposto triunfo cultural com a exposição A Ecologia de Monet. A mostra, que atraiu mais de 410 mil visitantes desde maio, superando até a exposição Tarsila Popular de 2019, apresenta 32 obras impressionistas do pintor francês, muitas inéditas no hemisfério sul. No entanto, esse recorde de público parece mais uma distração coletiva do que uma reflexão genuína, ignorando como o país afunda em problemas reais de ecologia, onde a industrialização contemporânea devasta biomas inteiros sem o glamour das telas de Monet.
A tentativa de impor uma “leitura contemporânea” à obra do artista, como defende o curador Fernando Oliva, soa forçada e anacrônica em um contexto de negacionismo climático promovido por lideranças políticas. Oliva argumenta que Monet documentou transformações ambientais de seu tempo, como industrialização e fenômenos naturais, mas admite que a relação do pintor com a ecologia era distante das dimensões atuais. Traçar paralelos com as ciências do clima modernas parece uma manobra intelectual para atrair multidões, enquanto o governo brasileiro corta verbas para fiscalização ambiental e ignora alertas globais. Essa exposição, em sua última semana, reforça a ilusão de que apreciar arte histórica resolve as urgências do presente, em vez de pressionar por ações políticas concretas.
Chegando ao fim, o Masp prorroga horários com entradas gratuitas até meia-noite em dias como terça (2), quinta (4), sexta (5) e sábado (6), com visitas das 10h às 24h e ingressos grátis a partir das 18h em alguns deles – uma medida que, embora acessível, destaca a ironia de filas gigantes por uma “ecologia” pintada, enquanto florestas queimam sem mobilização equivalente. Na quarta (3), o horário é reduzido para 10h às 18h, e reservas são obrigatórias pelo site do museu. Esse frenesi cultural, opinamos, expõe a falha da sociedade em priorizar batalhas reais contra a degradação ambiental, preferindo o escapismo estético.

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