A Operação Rede Obscura, deflagrada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro nesta terça-feira (5/8), revela o quão profundo é o domínio das facções criminosas sobre serviços essenciais nas comunidades pobres. Com alvos em provedores clandestinos de internet, o famoso “gatonet”, ligados ao Comando Vermelho (CV) e ao Terceiro Comando Puro (TCP), a ação cumpriu 17 mandados de busca e apreensão na zona norte do Rio e na Baixada Fluminense, resultando na apreensão de um fuzil, duas pistolas, dinheiro em espécie, equipamentos eletrônicos e cabos. Duas pessoas foram detidas, mas isso é apenas a ponta de um iceberg de corrupção e violência que impede o acesso legal à internet em áreas como Morro do Quitungo, Cordovil e Cidade Alta. É inaceitável que criminosos armados protejam essas operações ilegais, destruindo cabos de operadoras legais e mantendo vigilância para bloquear a concorrência, como ocorreu em fevereiro no Morro do Quitungo.
Os donos desses provedores têm histórico criminal alarmante, incluindo tráfico de drogas, furto de energia e receptação, e confessam pagar “doações” periódicas aos traficantes para operar. Um deles, ligado ao CV, admitiu propostas de expansão para outras comunidades, enquanto o associado ao TCP já foi preso por receptação de cabos furtados. Essa rede não só explora moradores com serviços precários e funcionários sem registro ou qualificação, mas também perpetua o ciclo de violência, como visto em uma operação anterior em março, que prendeu sete pessoas em Brás de Pina. A investigação, conduzida pela Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD) com apoio de outras unidades, deve ir além das apreensões para desmantelar essas estruturas, mas o fato de que facções lucram com infraestrutura básica expõe a negligência crônica das autoridades políticas em combater o crime organizado, deixando a população refém de um submundo digital perigoso.
Em última análise, operações como essa destacam a urgência de políticas mais agressivas contra a infiltração criminal em serviços públicos, pois o “gatonet” não é só uma irregularidade técnica, mas uma ferramenta de controle territorial que enfraquece o Estado e perpetua a desigualdade social no Rio de Janeiro. Sem uma ação integrada e contínua, essas facções continuarão a ditar as regras, transformando necessidades cotidianas em fontes de terror e lucro ilícito.

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