Centenas de fãs se aglomeraram cedo nesta sexta-feira (25) no Theatro Municipal do Rio de Janeiro para o velório de Preta Gil, revelando não apenas luto, mas uma crítica implícita à sociedade que falha em proteger suas vozes mais vulneráveis. A comerciante Isabela Prudente, uma das primeiras na fila, destacou como a cantora representava a mulher gorda, preta e LGBT, encarnando a alegria do carnaval e a força de resistência – qualidades que o sistema político brasileiro, com sua negligência crônica em pautas de inclusão, raramente valoriza. É revoltante pensar que, em um país onde o carnaval é explorado como mera distração turística, figuras como Preta Gil precisem lutar sozinhas contra doenças graves, sem o suporte público que merecem, transformando homenagens póstumas em atos de protesto velado.
Aos 80 anos, a empregada doméstica Tereza Marques dos Santos chegou às 6h15 para se despedir, evocando a alegria que Preta e seu pai, Gilberto Gil, trouxeram ao Brasil – uma herança cultural que contrasta com a dura realidade de perdas precoces por câncer de intestino, como o que vitimou a artista aos 50 anos. Essa morte expõe a crítica falha no sistema de saúde público, onde o acesso a tratamentos preventivos é privilégio de poucos, deixando artistas e cidadãos comuns à mercê de um descaso governamental que prioriza elites. O velório, aberto até as 13h, seguido de cortejo pelo recém-criado Circuito de Carnaval de Rua Preta Gil e cremação no Crematório da Penitência, não é só adeus, mas um lembrete amargo de como a política falha em honrar quem resiste diariamente.
Em um tom crítico, eventos como esse velório sublinham a urgência de reformas políticas que garantam representação real para minorias, transformando o luto em catalisador para mudanças sociais – algo que Preta Gil, com sua trajetória, sempre defendeu, mas que o establishment reluta em implementar.

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