Em um mês tradicionalmente deficitário, as contas do Governo Central surpreenderam em maio, registrando déficit primário de R$ 40,621 bilhões. Esse resultado, descontada a inflação, é 36,2% menor que o déficit de R$ 60,408 bilhões do mesmo mês do ano passado. É o quarto maior déficit para meses de maio, ficando atrás apenas dos anos de 2024, 2023 e 2020. No entanto, o valor foi melhor que o esperado pelas instituições financeiras, que previam um déficit de R$ 62,2 bilhões.
Apesar do déficit em maio, o acumulado do ano mostra um superávit primário de R$ 32,198 bilhões, o melhor resultado para o mesmo período desde 2022. No ano passado, o déficit acumulado nos cinco primeiros meses era de R$ 28,652 bilhões. O resultado primário exclui os pagamentos de juros da dívida pública, e a meta para este ano é de déficit zero, com uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB.
A arrecadação federal recorde em maio ajudou a conter o déficit, com um aumento de 4,7% nas receitas administradas, descontada a inflação. Por outro lado, as receitas não administradas pela Receita Federal caíram 2,4%, com destaque para a redução de 27,5% nos dividendos de estatais e de 3,7% nas receitas de concessões. A alta de 11,9% nos royalties de petróleo, devido à desvalorização cambial, foi um fator positivo.
Os gastos com o funcionalismo público aumentaram 10,4% acima da inflação, devido ao reajuste salarial. As despesas com a Previdência Social caíram 3,4%, enquanto os gastos com o BPC subiram 6,6%. As despesas obrigatórias com programas sociais recuaram 7,3%, e os investimentos em obras públicas somaram R$ 22,393 bilhões nos cinco primeiros meses, uma queda de 16,9% em termos reais.

Deixe um comentário