quarta-feira , 11 março 2026
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Manicure recorre a veneno contra assédio: quando a impunidade militar vira tragédia doméstica

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Em um caso que expõe as entranhas podres do machismo institucional, uma manicure de 34 anos no Distrito Federal tentou envenenar seu companheiro, um cabo da Força Aérea Brasileira de 36 anos, com brigadeiros misturados a chumbinho. O estopim? A revelação chocante de sua filha de 18 anos, que relatou assédios sexuais repetidos pelo padrasto, incluindo um episódio recente onde ele, sem cueca, deitou sobre ela na cama enquanto a irmã menor chorava assustada. Essa não é só uma história de vingança pessoal, mas um grito contra um sistema que permite que militares como esse escapem de punições, arquivando denúncias antigas e perpetuando um ciclo de abuso que destrói famílias. Jovens, é hora de questionar: por que instituições como a FAB ainda protegem comportamentos autoritários e violentos sob o manto da hierarquia?

O relacionamento de 13 anos do casal era um barril de pólvora, marcado por brigas, agressões físicas e consumo excessivo de álcool pelo militar, que a manicure descreveu como autoritário e implicante. Há dois anos, uma denúncia de assédio contra a então enteada de 16 anos foi arquivada, permitindo que o casal se reconciliasse – só para o padrão se repetir, com o cabo pedindo “carinho físico” e presenteando a jovem para ganhar afeto. Ele nega tudo, alegando ser mal interpretado, mas justifica toques “não lascivos” em um banheiro, o que soa como a clássica desculpa de quem abusa do poder. Criticar isso não é sensacionalismo: é expor como a impunidade em esferas militares reflete uma política maior de negligência com vítimas de violência de gênero, deixando mulheres e jovens desprotegidos em um país que ainda trata assédio como “mal-entendido”.

Abalada, a manicure comprou veneno e manipulou os doces, mas se arrependeu após ele comer um, alertando-o para buscar ajuda – ele sobreviveu com dose insuficiente para matar, e optou por não denunciá-la. Agora, um novo inquérito investiga importunação sexual, mas e daí? Sem reformas políticas urgentes para combater o patriarcado nas forças armadas, casos assim vão se multiplicar, vitimando mais uma geração. Jovens do DF e além, não fiquem calados: exijam accountability de quem deveria nos proteger, não nos oprimir.

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