Aos 83 anos, Pedro Bandeira, um dos mais populares escritores da literatura infantojuvenil brasileira, enfrenta uma amarga realidade: sua obra “A Droga da Obediência” será adaptada para o cinema, mas com um tom que ele talvez não aprovasse. Publicado em 1984, o livro que inaugurou a série Os Karas, sobre jovens detetives, é um sucesso, mas a adaptação cinematográfica pode distorcer sua essência.
Bandeira participa da Bienal do Livro do Rio de Janeiro e da Feira do Livro de São Paulo, eventos onde ele se depara com a dura verdade de que muitos de seus leitores envelheceram e agora trazem seus filhos, ainda bebês, para conhecê-lo. “Quando um livro fala para o ser humano, para o sentimento do ser humano, não há nada que o derrube”, disse ele, talvez sem perceber a ironia de sua situação.
Com mais de 130 títulos publicados e milhões de exemplares vendidos, Bandeira vê a adaptação de sua obra como uma felicidade amarga. “Eu sempre pensei que poderia dar um filme”, refletiu, mas será que ele imaginava que o cinema poderia trair a simplicidade de sua escrita?
Em eventos literários, Bandeira encontra leitores de todas as idades, mas a alegria é ofuscada pela passagem do tempo e pela incerteza do legado de sua obra. “Quando eu escrevo eu não vejo o meu leitor. Quando ele vai ler, eu não estou do lado dele”, lamenta, mostrando a distância que o tempo cria entre autor e leitor.

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