terça-feira , 8 setembro 2026
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Perda gestacional: relato de Kalyane Ribeiro expõe isolamento e dor invisível no Setembro Amarelo

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© Tomaz Silva/Agência Brasil
© Tomaz Silva/Agência Brasil

Durante o Setembro Amarelo, o relato de Kalyane Ribeiro sobre sua perda gestacional precoce reforça a importância de atenção à saúde mental nesse período. A mulher de Manaus (AM) descreve o impacto emocional de um evento que, segundo especialistas da Febrasgo, exige acolhimento médico, familiar e social para evitar agravamentos como depressão e luto patológico. Romulo Negrini, Eduardo Felix Martins Santana e Andréa Cristina Galastri, de Campinas (SP), explicam os efeitos hormonais e psicológicos envolvidos.

Relato pessoal destaca o isolamento após a perda

Kalyane Ribeiro compartilha sua experiência para mostrar que a dor não desaparece com frases simples de consolo. Ela ressalta a sensação de entrar em um espaço onde poucos compreendem o que acontece.

Eu sempre falo para as pessoas que quando a gente passa por uma perda gestacional, mesmo que seja precoce, a gente entra em um buraco. Parece que a gente abre uma porta para um lugar com poucas pessoas dentro, e as pessoas que estão do lado de fora não conseguem saber o que tem lá

Kalyane Ribeiro

Outro trecho de seu depoimento evidencia a frustração com respostas superficiais recebidas.

As pessoas do mundo real, aqui fora, elas não querem saber. Você só escuta um ‘você vai ter que tentar de novo, vai dar certo’. Só que não é uma questão de substituir o filho, né? A gente não tá procurando um substituto

Kalyane Ribeiro

Efeitos hormonais e emocionais exigem suporte integrado

Os especialistas alertam que a queda hormonal após a interrupção da gravidez amplifica sintomas como tristeza profunda, ansiedade e irritabilidade, semelhantes a uma TPM intensa. Romulo Negrini observa que sofrer intensamente é reação humana esperada e não indica doença psiquiátrica por si só. Eduardo Felix Martins Santana enfatiza que a mulher não deve enfrentar o processo sozinha, enquanto Andréa Cristina Galastri afirma que o sofrimento é natural, mas a paralisia da vida não deve ocorrer.

Profissionais pedem maior envolvimento médico no acompanhamento

A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia orienta que médicos acompanhem de perto o estado emocional das pacientes. Eduardo Felix Martins Santana conclui que aguardar o retorno da mulher já deprimida pode resultar na perda de muitas pessoas, reforçando a necessidade de abordagem preventiva em todo o Brasil.

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