O esgotamento da infraestrutura portuária no Brasil revela uma falha crônica e imperdoável do poder público, que deixa o país refém de portos obsoletos enquanto o agronegócio clama por modernização. Em junho, mais de 453 mil sacas de café deixaram de ser embarcadas, gerando prejuízos superiores a R$ 3 milhões para exportadores e uma perda colossal de R$ 1 bilhão em receita cambial, conforme alerta o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Essa ineficiência não é mero acidente, mas o resultado de anos de descaso político, com leilões de terminais paralisados e pouca diversificação logística, punindo diretamente os cafeicultores que recebem mais de 90% do valor das exportações.
Eduardo Heron, diretor técnico do Cecafé, não poupa críticas ao apontar que a estrutura portuária não evoluiu, e os atrasos só pioram com a safra nova, como o arábica, ameaçando agravar o caos. No Porto de Santos, responsável por 80% dos embarques no primeiro semestre, 59% das embarcações sofreram atrasos, com esperas de até 37 dias, enquanto o complexo do Rio de Janeiro viu 57% dos navios impactados. É inadmissível que o governo anuncie investimentos a longo prazo, ignorando a urgência de medidas emergenciais, enquanto o agro cresce mais rápido que a capacidade estatal de acompanhar, expondo a incompetência na gestão portuária.
A limitação no leilão do Tecon Santos 10, criticada pelo Cecafé como geradora de concentração de mercado, é mais um exemplo de decisões políticas míopes que travam a modernização e convidam judicializações. Sem ações imediatas da ANTAQ e do governo, os prejuízos se multiplicarão no segundo semestre, com a exportação de conilon e robusta, comprometendo a balança comercial e o sustento de produtores. Essa paralisia não é só econômica, mas um atestado de falência política que o Brasil não pode mais tolerar.

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