O governo de Goiás, em sua tentativa de se mostrar inovador, anunciou o Programa e-Goiás Transformação Digital das Empresas, que promete selecionar até 20 negócios para receberem R$ 20 mil cada um, destinados a investimentos em tecnologia. As inscrições são gratuitas e seguem abertas até 21 de agosto, mas é difícil não ver nisso uma manobra política superficial, especialmente em um estado onde a burocracia e a falta de infraestrutura digital continuam a sufocar o empreendedorismo real. Em vez de uma transformação ampla, o programa limita-se a um punhado de beneficiados, deixando a maioria das empresas à mercê de um sistema obsoleto e ineficiente.
Essa iniciativa, divulgada pela Agência Cora Coralina de Notícias, soa como mais uma jogada eleitoral para angariar simpatia entre os empresários, mas ignora problemas estruturais como a desigualdade no acesso à internet e a formação inadequada de mão de obra. Oferecer apenas R$ 20 mil por empresa selecionada parece irrisório diante dos custos reais de uma verdadeira digitalização, e o fato de restringir a apenas 20 participantes revela a timidez – ou seria descaso? – das políticas públicas goianas. No fim das contas, programas como esse acabam servindo mais para propaganda governamental do que para gerar impacto duradouro na economia local.
Enquanto o resto do país avança em parcerias público-privadas robustas, Goiás patina com ações pontuais que não atacam a raiz da defasagem tecnológica, reforçando a imagem de um governo mais preocupado com aparências do que com resultados concretos.

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