O Panamá enfrenta uma crise política desde que o governo conservador de José Raúl Mulino aprovou uma reforma da previdência em março. Isso desencadeou uma série de protestos, greves e bloqueios de vias, levando Mulino a decretar estado de urgência em 20 de outubro, com suspensão de direitos constitucionais em Bocas del Toro, onde a revolta é mais intensa.
Durante o período de repressão, o governo prendeu pessoas sem mandado judicial e restringiu direitos fundamentais como habeas corpus e liberdade de expressão. O estado de urgência terminou no domingo (29), mas deixou um saldo trágico: dois mortos, incluindo uma criança por inalação de gás lacrimogênio, 370 detidos e 600 feridos, segundo dados oficiais e da organização Direitos Comuns.
A instabilidade política, que começou a se intensificar há dois anos, foi agravada pela repressão estatal, conforme explicou o sociólogo Werner Vásquez von Schoettler, da Flacso. Ele destaca que a crise econômica, com aumento da pobreza e do custo de vida, alimenta a crise política, levando a um ponto de convulsão social no país.

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