O feriado estadual de 9 de julho em São Paulo, instituído em 1997, marca anualmente a Revolução Constitucionalista de 1932, movimento armado liderado por elites paulistas contra o governo provisório de Getúlio Vargas.
Origens e motivações do conflito
A revolução teve início em 9 de julho de 1932, após a crise do café e a deposição de Washington Luís. Elites agrárias e industriais reagiram ao isolamento político decorrente do fim da Política do Café com Leite, mobilizando-se para restaurar influência regional. Interventores como João Alberto Lins de Barros e Pedro de Toledo participaram do cenário, enquanto historiadores como Arão Davi Oliveira destacam a reação ao arbítrio varguista.
Construção da narrativa após a derrota
Derrotada em outubro de 1932, a revolução gerou uma mitologia que transformou a perda militar em triunfo de coesão regional. Francisco Quartim de Moraes observa que “Essa construção foi marcada nessa ideia, falsa, de que perdemos, mas vencemos, e é divulgada pelas grandes corporações de jornalismo da época, logo após a derrota.”
Essas elites passaram a construir uma narrativa ufanista e unificadora que aglutinou um discurso legalista e o mito da liderança paulista. O discurso legalista ‘vestiu a roupa’ da defesa da Constituição e colocou São Paulo no papel de guardião altruístas da legalidade contra o arbítrio varguista.
Arão Davi Oliveira
Arão Davi Oliveira complementa que “A criação do feriado de 9 de julho é revestida de uma mítica que almeja converter a derrota militar dos paulistas em um triunfo de coesão regional.” Os mortos do MMDC permanecem como símbolo central dessa memória regional.
