Durante as 35 horas de viagem no ônibus entre a cidade sertaneja de Central, na Chapada Diamantina, Bahia, e a capital federal, Brasília, o professor do ensino fundamental Sartre Gonçalves, de 25 anos, refletiu sobre a decisão de deixar sua terra natal. A estiagem e o medo do futuro o levaram a essa escolha, mas ele questiona se foi a correta. Seus pais, com sete filhos, lembraram-lhe que Sartre era um defensor da liberdade, mas a realidade mostra que essa liberdade é cada vez mais difícil de alcançar.
Este sábado (21) marca o aniversário de Jean-Paul Sartre (1905-1980), filósofo francês conhecido pelo existencialismo, que via a liberdade como essencial à existência humana. No entanto, o Sartre sertanejo, que mudou-se para Brasília em 1989, enfrenta uma realidade onde a liberdade é mais um ideal do que uma prática. Agora com 60 anos e funcionário público, ele palestra sobre escolhas e responsabilidades, mas vê que muitos não têm a liberdade de escolher.
Outro xará, Pedro Sartre, de 37 anos, trabalha como maqueiro em Santa Maria, Distrito Federal, e também enfrenta desafios. Ele fundou o projeto social Espírito Livre em Novo Gama, Goiás, para ensinar skate a crianças vulneráveis. Apesar do esforço, ele vê que a liberdade de escolha é limitada por condições socioeconômicas. Seus filhos, Eros e Pérola, já praticam skate, mas ele se preocupa com o futuro deles em um mundo onde a liberdade é cada vez mais restrita.
O professor de filosofia Márcio Gimenes de Paula, da Universidade de Brasília, destaca que o pensamento de Sartre sobre liberdade é relevante, mas alerta que na prática, a liberdade está sendo constantemente ameaçada por crises políticas e econômicas. Ele observa que os alunos se interessam pelas ideias de Sartre, mas questionam como aplicá-las em um contexto onde a liberdade é mais um sonho do que uma realidade.

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