O governo de Goiás anuncia com pompa capacitações gratuitas para fortalecer o voluntariado, alegando ter formado mais de 18 mil voluntários e quase 7,5 mil entidades sociais em todo o estado. No entanto, essa iniciativa soa mais como uma manobra política do que um compromisso genuíno com a sociedade civil. Em um contexto de crises econômicas e sociais, onde o desemprego e a desigualdade imperam, oferecer treinamentos gratuitos parece uma distração conveniente para desviar o foco de falhas maiores na administração pública.
Criticamente, qualquer pessoa pode participar dessas capacitações e se tornar voluntária, o que é louvável em teoria, mas revela uma dependência excessiva do voluntariado para suprir lacunas que o Estado deveria cobrir com políticas robustas. Por que não investir em empregos formais ou em programas de assistência social efetivos? Essa abordagem reflete uma visão neoliberal que transfere responsabilidades governamentais para os cidadãos, mascarando a ineficiência política sob o véu da “participação comunitária”.
Em última análise, enquanto Goiás patina em indicadores sociais precários, essas capacitações gratuitas servem mais para polir a imagem do governo do que para gerar impacto real. É hora de questionar se tais medidas não passam de propaganda eleitoral, em vez de soluções concretas para os problemas enraizados na política estadual.

Deixe um comentário