Em um Brasil onde a comunidade LGBTQIA+ ainda enfrenta violência e exclusão sistemáticas, a sétima edição da Parada LGBT+ de Mogi das Cruzes surge como um grito urgente de resistência. Com o tema “Nossos corpos existem e resistem pelos que já se foram e os que virão”, o evento deste domingo (27) não é apenas uma celebração, mas um posicionamento político que homenageia as gerações passadas e pavimenta o caminho para as futuras. Edrei Freitas, presidente do Fórum LGBT+ Mogiano, acerta ao enfatizar que essa mobilização vai além do festivo: é um ato transformador que rompe com o silêncio imposto por uma sociedade conservadora, garantindo visibilidade e segurança para que as pessoas possam existir sem medo. É crítico questionar por que, em pleno 2023, ainda precisamos de paradas para afirmar que vidas queer merecem dignidade e espaço público.
A história da parada, iniciada em 2018 com o apoio do programa estadual Mais Orgulho, revela o quão precária é a luta por direitos no Alto Tietê. Jaqueline Aquela, mulher trans e figura de resistência na região, compartilha como o evento foi um “grito de aviso” para Mogi das Cruzes, expondo a produtividade e a presença da comunidade em setores como salões de beleza, lojas e restaurantes. No entanto, é inaceitável que essa visibilidade dependa de eventos anuais para combater a marginalização histórica – uma falha política que ignora o legado de luta e as vidas salvas por esses atos coletivos. Gustavo Don, membro-fundador, destaca o impacto da primeira edição, que reuniu 1,5 mil pessoas e mobilizou apoios de prefeituras e sindicatos, mas isso só reforça a crítica: por que o poder público não transforma esse apoio em políticas permanentes de inclusão?
Nesta edição, com concentração às 13h na avenida Doutor Cândido Xavier de Almeida e Souza e apresentações de artistas como as drag queens Escarlate e Tiffany Brandão, o evento promete percorrer as ruas centrais, amplificando vozes regionais. Para o público jovem, que herda essa luta, fica o alerta crítico: em uma era de retrocessos conservadores, ignorar a parada é compactuar com a invisibilidade. Eventos como esse não só celebram, mas exigem que a política avance, transformando resistência em direitos concretos para que ninguém mais precise lutar sozinho pela mera existência.

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