sexta-feira , 13 março 2026
Início Opinião Parada LGBT+ de Mogi das Cruzes: um ato político que desafia o silêncio e a marginalização
Opinião

Parada LGBT+ de Mogi das Cruzes: um ato político que desafia o silêncio e a marginalização

54

Em um Brasil onde a comunidade LGBTQIA+ ainda enfrenta violência e exclusão sistemáticas, a sétima edição da Parada LGBT+ de Mogi das Cruzes surge como um grito urgente de resistência. Com o tema “Nossos corpos existem e resistem pelos que já se foram e os que virão”, o evento deste domingo (27) não é apenas uma celebração, mas um posicionamento político que homenageia as gerações passadas e pavimenta o caminho para as futuras. Edrei Freitas, presidente do Fórum LGBT+ Mogiano, acerta ao enfatizar que essa mobilização vai além do festivo: é um ato transformador que rompe com o silêncio imposto por uma sociedade conservadora, garantindo visibilidade e segurança para que as pessoas possam existir sem medo. É crítico questionar por que, em pleno 2023, ainda precisamos de paradas para afirmar que vidas queer merecem dignidade e espaço público.

A história da parada, iniciada em 2018 com o apoio do programa estadual Mais Orgulho, revela o quão precária é a luta por direitos no Alto Tietê. Jaqueline Aquela, mulher trans e figura de resistência na região, compartilha como o evento foi um “grito de aviso” para Mogi das Cruzes, expondo a produtividade e a presença da comunidade em setores como salões de beleza, lojas e restaurantes. No entanto, é inaceitável que essa visibilidade dependa de eventos anuais para combater a marginalização histórica – uma falha política que ignora o legado de luta e as vidas salvas por esses atos coletivos. Gustavo Don, membro-fundador, destaca o impacto da primeira edição, que reuniu 1,5 mil pessoas e mobilizou apoios de prefeituras e sindicatos, mas isso só reforça a crítica: por que o poder público não transforma esse apoio em políticas permanentes de inclusão?

Nesta edição, com concentração às 13h na avenida Doutor Cândido Xavier de Almeida e Souza e apresentações de artistas como as drag queens Escarlate e Tiffany Brandão, o evento promete percorrer as ruas centrais, amplificando vozes regionais. Para o público jovem, que herda essa luta, fica o alerta crítico: em uma era de retrocessos conservadores, ignorar a parada é compactuar com a invisibilidade. Eventos como esse não só celebram, mas exigem que a política avance, transformando resistência em direitos concretos para que ninguém mais precise lutar sozinho pela mera existência.

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Notícias relacionadas

Prédio da GoiásFomento em Goiânia, com notas de real e contraste de desigualdades urbanas no cerrado goiano.
OpiniãoPolítica

GoiásFomento libera R$ 59,6 milhões, mas gera só 3 mil empregos e falha contra desigualdades

GoiásFomento libera R$59,6 milhões em 2025, gerando apenas 3 mil empregos e...

Opinião

Paula Santana: uma trajetória inspiradora com merecido reconhecimento

Em um mundo jornalístico cada vez mais dinâmico e desafiador, Paula Santana...

Opinião

A ‘suíte’ presidencial: desvendando o luxo forçado da cela de Bolsonaro na PF

Ah, o destino irônico dos poderosos! Imagine Jair Bolsonaro, o ex-presidente que...

Opinião

Bebidas envenenadas: o brinde letal do crime e a preguiça federal

Ah, que delícia deve ser tomar um gole de cachaça ou uísque...