Em uma decisão que escancara a fragilidade da nossa democracia ainda abalada pelos ecos do 8 de janeiro de 2023, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, proibiu qualquer acampamento num raio de 1 km da Praça dos Três Poderes, Esplanada dos Ministérios e quartéis das Forças Armadas. Essa medida, complementar a inquéritos sobre atos antidemocráticos e milícias digitais, é um tapa na cara de quem acha que pode reviver o caos golpista acampando como se fosse um piquenique político. Moraes, acertadamente, visa preservar a ordem pública, citando até legislações internacionais como o Public Order Act britânico e constituições de Canadá e Portugal para justificar restrições ao direito de manifestação quando ele vira ameaça à convivência democrática. Para jovens como nós, que crescemos vendo a política como meme nas redes, isso é um lembrete crítico: liberdade não é licença para bagunça institucional.
O que motivou essa proibição? Uma reportagem de O Globo flagrou o deputado federal Hélio Lopes (PL-RJ) acampando em frente ao Congresso Nacional, enquanto posts nas redes sociais convocavam apoiadores com frases como “Já tem gente indo para lá”. É ridículo e perigoso ver parlamentares fomentando essa vibe de milícia, ignorando o princípio alemão de proibição de excesso que Moraes invoca para equilibrar liberdades com proteção ao Estado. O governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), já avisou que a PM está pronta para prender quem desobedecer, reforçando que a decisão será cumprida com rigor. Na manhã de sábado, a região estava blindada com barreiras e policiamento ostensivo, sem manifestações à vista, mas com um ar de tensão que critica diretamente o legado tóxico de extremistas.
Essa ordem vem logo após o STF impor tornozeleira eletrônica e outras restrições ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), expondo como o bolsonarismo ainda tenta minar as instituições. Criticamente, é hora de questionarmos: por que precisamos de decisões como essa para proteger a democracia? Para a galera jovem, que vai herdar esse país, fica o alerta – mobilizações pacíficas sim, mas acampamentos golpistas? Nem pensar, ou corremos o risco de repetir erros que já custaram caro.

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