A final da Copa América Feminina entre Brasil e Colômbia, disputada no Estádio Casa Blanca em Quito, no Equador, revelou mais fraquezas do que forças na seleção brasileira, apesar da conquista do nono título em dez edições do torneio. O placar de 4 a 4 no tempo normal e prorrogação, seguido de uma vitória por 5 a 4 nos pênaltis, destacou uma hegemonia verde-amarela que parece cada vez mais dependente de lances de sorte e heroísmos individuais, como os gols de Marta e as defesas de Lorena. Erros defensivos graves, como o gol contra de Tarciane e a desatenção da zaga que permitiu o primeiro gol de Linda Caicedo, expuseram uma equipe que, sob o comando de Arthur Elias, precisou de substituições precoces e do VAR para se manter no jogo, questionando se essa supremacia continental é sustentável ou mera ilusão.
Pior ainda, a partida sublinhou a imprevisibilidade caótica que beira o amadorismo, com gols nos acréscimos e na prorrogação que transformaram o duelo em um espetáculo de erros mútuos, em vez de domínio técnico. Marta, a capitã e maior estrela, até marcou duas vezes, mas falhou em sua cobrança de pênalti, quase custando o título e reforçando a narrativa de uma seleção que vence apesar de si mesma. Enquanto a Colômbia, com jogadoras como Mayra Ramírez e Leicy Santos, mostrou evolução e quase quebrou o monopólio brasileiro – interrompido apenas uma vez pela Argentina em edições passadas –, o Brasil confirma uma hegemonia que mascara deficiências estruturais, deixando um gosto amargo de que vitórias assim não inspiram confiança para desafios maiores.
No fim, a defesa decisiva de Lorena na cobrança de Carabalí selou o tetracampeonato pessoal de Marta e o nono troféu nacional, mas esse triunfo suado serve de alerta: sem correções urgentes, a era de dominação pode ruir, expondo o futebol feminino brasileiro a humilhações futuras.

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