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Explosão de denúncias expõe falhas gritantes na luta contra a exploração infantil online

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O vídeo viral do influenciador Felca, com mais de 38 milhões de visualizações, escancarou uma realidade repugnante: a monetização descarada de conteúdos que exploram sexualmente crianças e adolescentes nas redes sociais. Desde sua postagem em 6 de agosto, as denúncias recebidas pela ONG SaferNet saltaram 114%, passando de 770 no mesmo período do ano passado para 1.651 até a última terça-feira. Esse aumento não é um mero pico estatístico, mas um grito de alerta para a ineficácia das políticas atuais de combate a esses crimes hediondos, que perpetuam o estupro e o abuso sob o véu da impunidade digital. É inaceitável que criminosos lucrem com o sofrimento alheio enquanto plataformas falham em coibir tal barbárie.

Thiago Tavares, presidente da SaferNet, atribui esse surto de denúncias ao debate reacendido pelo vídeo, que denunciou o uso do Telegram para distribuir e vender imagens de abusos, além de artifícios como siglas e emojis para camuflar o horror. Há anos a ONG alerta para esses mecanismos, mas o que vemos é uma negligência sistemática por parte de autoridades e empresas de tecnologia, permitindo que o “cp” – abreviação para child porn – se prolifere em grupos clandestinos. Essa omissão não só multiplica a dor das vítimas, mas revela uma sociedade anestesiada, onde o viral é necessário para despertar consciências adormecidas.

Diante de um crescimento de apenas 19% nas denúncias no primeiro semestre de 2024 para 2025, considerado “normal” pela SaferNet, fica evidente a urgência de intervenções políticas mais robustas, com o Ministério Público Federal assumindo investigações céleres. A ONG, prestes a completar 20 anos, é um farol na promoção de direitos humanos online, mas depender de influenciadores para combater esses males é um sinal de fracasso coletivo. Precisamos de leis mais duras e fiscalização implacável para erradicar essa chaga, antes que mais inocentes sejam vitimados pela ganância virtual.

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