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Gestantes Munduruku têm nível de mercúrio 4,5 vezes acima do limite da OMS

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© Rovena Rosa/Agência Brasil
© Rovena Rosa/Agência Brasil

Gestantes da etnia Munduruku na Terra Indígena do Médio Tapajós, no Pará, apresentam níveis médios de mercúrio no cabelo de 9,1 µg/g, valor 4,5 vezes acima do limite seguro da OMS. Os dados preliminares de um estudo longitudinal iniciado em 2019 foram apresentados em 3 de junho de 2026 durante a Rio Nature & Climate Week. A contaminação atinge 97% das mulheres monitoradas e 90% dos bebês nascem expostos ao metal tóxico via placenta e consumo de peixes dos rios poluídos pelo garimpo ilegal.

Níveis alarmantes de contaminação

O pesquisador Paulo Basta, da ENSP/Fiocruz, coordena o monitoramento que já identificou 751 casos confirmados de indígenas contaminados por mercúrio no Brasil, com 318 no Pará. A liderança Alessandra Korap Munduruku relata que as comunidades se sentiam doentes sem saber a causa até os exames confirmarem a exposição. Ela destaca que o peixe é a principal fonte alimentar e não há alternativas viáveis para a população local.

Efeitos no desenvolvimento infantil

O estudo acompanha os bebês nos primeiros dois anos de vida para avaliar curvas de crescimento e marcos do neurodesenvolvimento. Segundo Paulo Basta, a exposição pré-natal ao mercúrio provoca lesões irreversíveis no sistema nervoso central. A promotora Eliane Moreira, do MPPA, aponta que o licenciamento frágil e a falta de fiscalização em municípios de baixo IDH favorecem a continuidade da tragédia ambiental.

Desafios para políticas públicas

Paulo Basta ressalta a necessidade de estatísticas oficiais, pois o sistema de saúde brasileiro ainda não dispõe de ficha específica para notificação de contaminação por mercúrio. Alessandra Korap Munduruku descreve a revolta das mulheres ao receberem os resultados e questionarem o impacto na gravidez e na amamentação. As lideranças cobram ações integradas para proteger a saúde das futuras gerações na Amazônia.

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