O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou na sexta-feira, 14 de agosto de 2026, que o Brasil só concederá o agrément ao indicado pelos Estados Unidos para embaixador em Brasília, Daniel Perez, após as eleições de outubro. A decisão foi comunicada durante entrevista aos podcasts Não Inviabilize e As Cunhãs, onde o mandatário brasileiro justificou a medida pela demora de um ano e seis meses na indicação e por tentativas de interferência em assuntos internos do país.
Lula aponta interferência e timing inadequado
Segundo Lula, os Estados Unidos tentaram enviar pessoas para estudar as urnas eletrônicas brasileiras, pedido que não recebeu visto. O presidente questionou ainda o momento da nomeação, a apenas 45 dias do pleito, e lembrou que o país ficou sem embaixador por longo período. Ele ressaltou que o agrément será analisado apenas depois da votação, priorizando a soberania nacional.
Ouvi dizer que eles [EUA] queriam mandar duas pessoas para vir para cá para estudar as urnas, e nós não demos o visto. Agora, querem que eu apressadamente aceite o embaixador deles. Mas, agora, só [vamos aceitar] depois das eleições
Luiz Inácio Lula da Silva
Defesa da reciprocidade nas relações
Lula afirmou que o Brasil entrou com a Lei de Reciprocidade para demonstrar respeito próprio e cobrou tratamento equivalente. O presidente expressou tranquilidade diante do cenário e disposição para defender os interesses brasileiros em qualquer foro internacional. Ele destacou que não busca conflito, mas sim diálogo sério com os Estados Unidos.
Não precisamos brigar. Não quero guerra. Quero discutir [as questões] com seriedade. O Brasil quer ter uma boa relação com os Estados Unidos
Luiz Inácio Lula da Silva
O governo brasileiro mantém a posição de aguardar o fim do processo eleitoral antes de avaliar a nomeação de Daniel Perez, indicada pelo presidente Donald Trump e pelo secretário de Estado Marco Rubio.
