Ei, jovens, vamos falar sério: a Agribrasil, uma das gigantes na originação de grãos e exportação no Brasil, acaba de vender seu controle e o Terminal Santa Catarina (Tesc) para a Solaris Brazil Trading Holding, controlada por um fundo soberano de Omã. Isso não é só uma transação comercial; é um movimento que cheira a perda de soberania econômica. Frederico José Humberg, que detinha mais de 93% das ações, está abrindo mão de um império que inclui um terminal multimodal estratégico em São Francisco do Sul (SC), com direitos exclusivos em berços marítimos. E o pior? O valor é sigiloso, e a conclusão depende de aprovações do Cade e da Antaq – órgãos que, convenhamos, nem sempre priorizam o interesse nacional sobre investimentos estrangeiros. Para uma geração que luta por autonomia, isso soa como mais um passo rumo à dependência de capitais externos no setor que alimenta o mundo.
Crítico aqui: enquanto a Solaris alega que o acordo vai “garantir acesso à infraestrutura logística” e diversificar commodities como milho e soja, contribuindo para a segurança alimentar global, eu pergunto: e a segurança do Brasil nisso tudo? A empresa, uma das top 5 em trading de trigo mundial, está de olho na integração vertical, mas isso pode significar que nossos grãos vão ser controlados por interesses de Riad ou Mascate, ignorando os agricultores locais. Lembrem-se, a Agribrasil reportou receita de R$ 1,37 bilhão no primeiro trimestre, com Ebitda de R$ 109,1 milhões – números impressionantes impulsionados por volumes recordes de 1,02 milhão de toneladas. Vender agora, após negociações com players como a Salic saudita, parece uma saída rápida para Humberg, mas deixa um vácuo para nós, jovens, que vamos herdar um agronegócio cada vez mais nas mãos de fundos soberanos estrangeiros.
No fundo, essa operação, prevista para fechar até o fim do ano, expõe as fragilidades da nossa política econômica: por que permitir que ativos vitais como o Tesc, adquirido pela Agribrasil em 2022 do fundo BRZ, escapem para holdings internacionais sem debate público? É hora de questionar se esses acordos realmente beneficiam o Brasil ou só engordam bolsos distantes, enquanto nossa juventude luta por empregos e sustentabilidade no campo.

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