sexta-feira , 11 setembro 2026
Início Caso de Polícia Facções criminosas controlam internet clandestina no Rio, expondo falhas graves na segurança pública
Caso de Polícia

Facções criminosas controlam internet clandestina no Rio, expondo falhas graves na segurança pública

115

A Operação Rede Obscura, deflagrada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro nesta terça-feira (5/8), revela o quão profundo é o domínio das facções criminosas sobre serviços essenciais nas comunidades pobres. Com alvos em provedores clandestinos de internet, o famoso “gatonet”, ligados ao Comando Vermelho (CV) e ao Terceiro Comando Puro (TCP), a ação cumpriu 17 mandados de busca e apreensão na zona norte do Rio e na Baixada Fluminense, resultando na apreensão de um fuzil, duas pistolas, dinheiro em espécie, equipamentos eletrônicos e cabos. Duas pessoas foram detidas, mas isso é apenas a ponta de um iceberg de corrupção e violência que impede o acesso legal à internet em áreas como Morro do Quitungo, Cordovil e Cidade Alta. É inaceitável que criminosos armados protejam essas operações ilegais, destruindo cabos de operadoras legais e mantendo vigilância para bloquear a concorrência, como ocorreu em fevereiro no Morro do Quitungo.

Os donos desses provedores têm histórico criminal alarmante, incluindo tráfico de drogas, furto de energia e receptação, e confessam pagar “doações” periódicas aos traficantes para operar. Um deles, ligado ao CV, admitiu propostas de expansão para outras comunidades, enquanto o associado ao TCP já foi preso por receptação de cabos furtados. Essa rede não só explora moradores com serviços precários e funcionários sem registro ou qualificação, mas também perpetua o ciclo de violência, como visto em uma operação anterior em março, que prendeu sete pessoas em Brás de Pina. A investigação, conduzida pela Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD) com apoio de outras unidades, deve ir além das apreensões para desmantelar essas estruturas, mas o fato de que facções lucram com infraestrutura básica expõe a negligência crônica das autoridades políticas em combater o crime organizado, deixando a população refém de um submundo digital perigoso.

Em última análise, operações como essa destacam a urgência de políticas mais agressivas contra a infiltração criminal em serviços públicos, pois o “gatonet” não é só uma irregularidade técnica, mas uma ferramenta de controle territorial que enfraquece o Estado e perpetua a desigualdade social no Rio de Janeiro. Sem uma ação integrada e contínua, essas facções continuarão a ditar as regras, transformando necessidades cotidianas em fontes de terror e lucro ilícito.

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Notícias relacionadas

Justiça Eleitoral intima Rogerinho e Karine por fake news contra candidato e ameaça multas de R$ 25 mil
Caso de PolíciaPolítica

Justiça Eleitoral intima Rogerinho e Karine por fake news contra candidato e ameaça multas de R$ 25 mil

O Tribunal Regional Eleitoral de Goiás determinou a notificação imediata de diversos...

Hayner - Vila Nova (Foto - Roberto Corrêa)
Caso de Polícia

Polícia Civil investiga lateral Hayner, do Santos, por tráfico de drogas e armas

A Polícia Civil do Espírito Santo deflagrou na segunda-feira, 31 de agosto...

Justiça eleitoral manda remover deepfakes contra candidato a Deputado Estadual Cristóvão Tormin
Caso de PolíciaPolítica

Justiça eleitoral manda remover deepfakes contra candidato a Deputado Estadual Cristóvão Tormin

A desembargadora eleitoral Aline Vieira Tomas Protasio, do Tribunal Regional Eleitoral de...

Fogo na área do Jóquei Clube de Goiás afetou estruturas, aponta diretoria - Fotomontagem: reprodução / redes sociais
Caso de PolíciaCidades

Incêndio no Hipódromo da Lagoinha cancela retorno das corridas de cavalos em Goiás

Um incêndio danificou as estruturas do Hipódromo da Lagoinha, localizado na Cidade...