O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, classificou como crítica a situação de chikungunya em Dourados (MS), especialmente nas comunidades indígenas da Reserva de Dourados. Durante visita ao município em 3 de abril de 2026, ele anunciou medidas federais para combater o surto, que levou à decretação de emergência em 27 de março de 2026. O governo federal liberou R$ 3,1 milhões e mobilizou recursos para enfrentar o alto número de casos, com ênfase nas aldeias Bororó e Jaguapiru.
Visita ministerial e reconhecimento da crise
Em sua visita, o ministro Eloy Terena percorreu áreas afetadas na Reserva Indígena de Dourados, acompanhado por representantes dos Ministérios da Saúde, Integração e Desenvolvimento Regional, e da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai). Ele destacou a necessidade de uma resposta integrada, sem atribuir culpas a esferas governamentais específicas. A emergência foi reconhecida pelo governo federal em 30 de março de 2026, e os recursos foram destinados em 2 de abril de 2026.
Quando se trata de saúde, de vidas humanas, a responsabilidade é global. Não estamos aqui para dizer que a responsabilidade era do município, do governo estadual ou do governo federal. Estamos aqui para reconhecer esta situação crítica. Portanto, não temos uma posição negacionista e vamos enfrentá-la.
A prefeitura de Dourados e o governo de Mato Grosso do Sul também participam das ações coordenadas.
Medidas federais de combate ao surto
O governo federal anunciou a contratação de 50 agentes de combate a endemias, com 20 iniciando o trabalho em 4 de abril de 2026. Além disso, a Força Nacional do SUS e militares foram mobilizados para ações de controle do mosquito Aedes aegypti, limpeza urbana e assistência humanitária. Daniel Ramos, do Ministério da Saúde, e Juliana Lima, da Força Nacional do SUS, enfatizaram a importância dessas iniciativas para reduzir a pressão nos serviços de saúde.
A assistência é uma das partes importantes e a gente vai entrar com ações contundentes de controle vetorial para reduzir esta pressão nos serviços [de saúde].
O cenário está muito dinâmico. Ele vem se mostrando, dia após dia, com um perfil epidemiológico diferenciado. Então, a gente não está conseguindo ainda afirmar se há uma diminuição ou um aumento [do número de casos] nesta ou naquela aldeia. Mas fazemos o monitoramento, os registros, diariamente e, com isso, conseguimos sinalizar para a vigilância onde eles devem priorizar os atendimentos dos casos agudos.
Impacto epidemiológico e causas
Desde janeiro até o início de abril de 2026, Mato Grosso do Sul registrou 1.764 casos confirmados de chikungunya, com 759 casos prováveis em Dourados. O surto resultou em sete óbitos, sendo cinco na reserva indígena, incluindo dois bebês. O impacto é maior em indígenas e gestantes, agravado pela proliferação do Aedes aegypti devido a problemas com lixo e resíduos sólidos na reserva.
Temos que aperfeiçoar a questão dos resíduos sólidos, do lixo. É preciso atender de igual forma não só o contexto urbano, como as comunidades indígenas.
As ações visam mitigar esses fatores e monitorar diariamente a evolução dos casos para priorizar atendimentos.
