As novas infecções por HIV e as mortes relacionadas à aids atingiram os menores níveis globais em 2025, mas o avanço enfrenta ameaças pela queda no financiamento para prevenção e tratamento. O relatório do Programa Conjunto das Nações Unidas para HIV/Aids (Unaids), divulgado em 27/07/2026 durante a 26ª Conferência Internacional de Aids no Rio de Janeiro, revela uma redução de 40% nas novas infecções desde 2010, totalizando 1,2 milhão de casos e 570 mil mortes por aids no ano anterior. O Brasil integra o grupo de 21 países que registraram aumento de infecções, o que exige atenção imediata das autoridades.
Apesar dos avanços científicos, como a PrEP injetável de longa duração, a redução de 23% no financiamento da assistência oficial ao desenvolvimento compromete o acesso a medicamentos e serviços. A diretora-executiva da Unaids, Winnie Byanyima, alerta que a inovação precisa chegar a todas as pessoas que necessitam.
Avanços científicos e barreiras de acesso
A ciência oferece ferramentas eficazes, mas a discriminação e a criminalização de populações vulneráveis impedem o uso dos serviços de saúde. Quando as pessoas temem a prisão, a violência, a discriminação e o estigma, elas evitam os serviços de saúde. O HIV se espalha quando direitos são negados. Os direitos humanos não estão separados da resposta ao HIV, eles são a resposta ao HIV.
Essa é uma das maiores oportunidades que nós temos de acabar com a epidemia. Mas avanços científicos isolados não vão acabar com a aids. Inovação sem acesso não é inovação, e, sim, injustiça. Esses medicamentos continuam fora de alcance para a maioria das pessoas que precisam deles.
Winnie Byanyima
Urgência de políticas e investimentos
A implementação de medidas como preços acessíveis, competição via genéricos, fabricação regional e transferência de tecnologia pode prevenir 3,2 milhões de novas infecções e 1,3 milhão de mortes relacionadas à aids. A ciência fez o seu trabalho, agora, a política precisa fazer o dela. A pergunta não é mais se a gente consegue acabar com a aids, e, sim, se nós escolheremos acabar com a aids. Se isso for realmente implementado, podemos prevenir 3,2 milhões de novas infecções, e 1,3 milhão de mortes relacionadas à aids.
