Em um discurso recente, o secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, Gough, alertou que tratar negociações comerciais como “jogos de poder” pode ser um atalho perigoso para a instabilidade e a guerra. Ele criticou tarifas arbitrárias, anunciadas e implementadas de forma caótica, afirmando que elas estão desestruturando as cadeias globais de valor e ameaçam lançar a economia mundial em uma espiral de preços altos e estagnação. Essa declaração reflete preocupações crescentes com as políticas comerciais dos Estados Unidos, especialmente sob a ameaça de novas tarifas impostas por Donald Trump.
O mecanismo de disputas da Organização Mundial do Comércio (OMC) está paralisado devido a um bloqueio imposto pelos Estados Unidos, situação que se agravou durante o primeiro mandato de Trump e foi mantida pelo governo Biden, que não nomeou novos representantes para o órgão de apelação. Isso compromete a capacidade da OMC de aplicar e fazer cumprir suas decisões. Diante disso, o representante brasileiro defendeu uma reforma estrutural da organização para restaurar seu papel como foro legítimo para a solução de controvérsias e a defesa das economias em desenvolvimento.
Gough afirmou que, se as negociações com Washington não avançarem, o Brasil recorrerá a todos os meios legais disponíveis para defender sua economia e seu povo, incluindo o próprio sistema de resolução de controvérsias da OMC. Entre os países que ameaçaram retaliação caso as tarifas entrem em vigor em agosto, estão a União Europeia, o Canadá e o Brasil, que lidera a lista de nações notificados por Trump com a maior taxa, de 50%.

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