O ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, não compareceu à oitiva marcada pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Crime Organizado na terça-feira, 7 de abril de 2026, em Brasília. Autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a faltar, Rocha levou o colegiado a aprovar sua convocação formal, intensificando as investigações sobre negociações do Banco de Brasília (BRB) para adquirir o Banco Master, negócio barrado pelo Banco Central devido a fraudes. O presidente da CPMI, Fabiano Contarato (PT-ES), e o relator Alessandro Vieira (MDB-SE) destacaram a necessidade de esclarecimentos, enquanto o ministro André Mendonça, do STF, concedeu a permissão para ausência em decisão publicada em 2 de abril de 2026.
Ausência autorizada e reação da CPMI
A convocação de Ibaneis Rocha foi aprovada pela CPMI em 31 de março de 2026, mas o ex-governador obteve aval do STF para não comparecer à sessão inicial. Essa decisão gerou reações imediatas no colegiado, que optou por formalizar uma nova convocação para garantir sua presença. O foco das investigações recai sobre as negociações do BRB com o Banco Master, impedidas pelo Banco Central, que identificou irregularidades e as encaminhou à Polícia Federal.
A CPMI busca esclarecimentos detalhados sobre o papel de Rocha nessas tratativas, consideradas suspeitas de fraudes. Membros da comissão enfatizaram a importância de tratar todos igualmente perante a lei, independentemente de posição social ou política.
Declarações do presidente da comissão
Fabiano Contarato, presidente da CPMI, criticou desigualdades no sistema jurídico brasileiro durante a sessão. Ele destacou como as leis parecem funcionar de forma mais rigorosa contra certos grupos sociais.
“Todos somos iguais perante a lei, independentemente de raça, cor, etnia, religião, origem, orientação sexual. Só que, no Brasil, uns são mais iguais que outros”.
“Quando é para agir de forma contundente contra pobre e preto, vale tudo. As leis funcionam, o Código de Processo Penal funciona, o Código Penal funciona, a Lei de Execução Penal funciona. Às vezes, no pobre, nem à segunda instância vai. É transitado e julgado em primeira instância.”
Contarato reforçou o compromisso da CPMI em investigar com isenção e responsabilidade, afirmando que ninguém está acima da lei.
“A população tem que entender que a CPMI está tentando, e tentando com toda a isenção e responsabilidade, tanto da parte do relator quanto da minha parte, enquanto presidente, que a gente apure. Ninguém está acima da lei”.
Implicações para as investigações
A ausência de Ibaneis Rocha na oitiva inicial pode prolongar as apurações da CPMI do Crime Organizado, que analisa possíveis irregularidades em transações financeiras. Com a convocação formal aprovada, espera-se que Rocha preste depoimento em data futura, contribuindo para elucidar as fraudes investigadas. O caso destaca tensões entre poderes, com o STF intervindo em processos parlamentares, e reforça debates sobre transparência em negociações bancárias no Distrito Federal.
