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Goiás tem a melhor segurança do Brasil? Ranking coloca estado apenas em 10º lugar

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Taxa de mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes em 2025: Santa Catarina 7,6, São Paulo 7,8, Goiás 16,5 e Brasil 19,1. Fonte: 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública (Fórum Brasileiro de Segurança Pública).
Taxa de mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes em 2025: Santa Catarina 7,6, São Paulo 7,8, Goiás 16,5 e Brasil 19,1. Fonte: 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública (Fórum Brasileiro de Segurança Pública).

No dia 7 de setembro de 2026, o governador Daniel Vilela afirmou que Goiás conquistou sua independência porque é um Estado seguro e que a segurança pública se tornou referência nacional. O discurso repetiu o slogan de que o estado lidera em tudo, inclusive na área que ele elegeu como principal vitrine de sua candidatura à reeleição. Os dados oficiais, porém, mostram uma posição bem mais modesta e revelam fragilidades que o superlativo não sustenta.

O ranking e a posição real de Goiás

O Ranking de Competitividade dos Estados 2026, elaborado pelo Centro de Liderança Pública com a Tendências Consultoria, coloca Goiás em décimo lugar no pilar de Segurança Pública, com nota 43,4. O indicador tem o maior peso na nota geral do ranking, onde o estado aparece em oitavo lugar. Esse resultado reflete avanços reais na redução da letalidade, mas também expõe que a liderança nacional permanece distante.

Os dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, com números de 2025, confirmam que Goiás registrou 16,5 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes. O índice fica abaixo da média nacional de 19,1, porém mais que dobra os patamares de Santa Catarina, com 7,6, e de São Paulo, com 7,8. O Atlas da Violência 2026, do Ipea e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, reforça que a queda da letalidade em Goiás existe, mas não basta para justificar a afirmação de que o estado possui a melhor segurança do país.

A jornalista Fabiana Pulcineli destacou no podcast Papo Político da CBN Goiânia que o estado já havia piorado nesse pilar em 2024, quando ocupou a 17ª posição. O contraste entre o discurso oficial e os números públicos torna evidente que o avanço não autoriza o uso de superlativos.

A qualidade dos registros como ponto fraco

Goiás aparece em 23º lugar em qualidade da informação criminal no mesmo ranking de 2026. O indicador mede a confiabilidade dos dados que o próprio estado produz e registra. Quando um governo se apresenta como referência nacional, a posição nesse quesito específico chama atenção porque compromete a auditabilidade de todos os demais números.

O estado também ocupa a 19ª posição em mortes a esclarecer, proporção de óbitos por intenção indeterminada em relação ao total. Essa classificação, citada por Fabiana Pulcineli, indica que uma parcela relevante dos casos permanece sem definição clara de causa. Um estado que pretende ser o melhor deveria priorizar a melhoria desses registros para que os dados possam ser verificados com rigor.

Goiás está muito mal nesse item que trata dos registros estatísticos, que é responsabilidade do Estado. Aparece em 23º.

Fabiana Pulcineli, jornalista, no podcast Papo Político nº 1032, da CBN Goiânia

A exigência de registros impecáveis não representa ataque à política pública, mas condição básica para que qualquer avaliação de resultados seja confiável. Sem isso, o discurso de excelência perde sustentação diante de dados que o próprio governo divulga.

Violência contra a mulher fora do foco do discurso

Os indicadores de violência sexual e feminicídio revelam outra lacuna. Goiás aparece em 17º lugar em violência sexual e em 13º em feminicídio no Ranking de Competitividade 2026. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026 registrou crescimento de feminicídios no país mesmo com a queda geral de mortes violentas, o que torna esses números ainda mais relevantes.

O discurso oficial enfatiza a redução de homicídios, mas deixa em segundo plano os crimes que atingem especificamente mulheres. Essa omissão enfraquece a afirmação de que a segurança é a melhor do Brasil, pois ignora um segmento da violência que exige atenção prioritária e metas verificáveis.

A cobrança concreta que se impõe é a qualificação imediata dos registros estatísticos, o esclarecimento das mortes de causa indeterminada e a fixação de prazo e meta para reduzir a violência contra a mulher. Sem esses passos, o slogan de segurança pública continuará em desacordo com os dados que o próprio estado apresenta.

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