A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) emitiu um parecer favorável a uma nova diretriz para o rastreamento do câncer colorretal no Sistema Único de Saúde (SUS), com uma consulta pública prevista para os próximos dias. Essa iniciativa visa atender a população entre 50 e 75 anos sem fatores de risco, promovendo a detecção precoce de lesões pré-cancerosas e reduzindo a mortalidade por essa doença, que tem apresentado crescimento no Brasil e é frequentemente diagnosticada em estágios avançados. A implementação será escalonada para gerenciar a demanda no SUS, conforme anunciado pelo Ministério da Saúde nesta quinta-feira, 26 de março de 2026.
Detalhes da diretriz de rastreamento
A diretriz propõe o uso de teste imunoquímico anual para detecção de sangue oculto nas fezes, seguido de colonoscopia em casos positivos. O rastreamento é recomendado a cada dois anos para a faixa etária de 50 a 75 anos, com uma abordagem organizada que inclui convocação ativa dos pacientes e acompanhamento contínuo. Essa estratégia permite não apenas identificar o câncer em estágios iniciais, mas também remover pólipos pré-cancerosos durante a colonoscopia, impedindo a progressão da doença.
A implementação escalonada no SUS visa absorver a demanda de forma gradual, garantindo que o sistema de saúde possa lidar com o aumento de exames e procedimentos. Especialistas destacam a importância de um planejamento rigoroso para o sucesso do programa, incluindo o reconvocação dos pacientes para exames subsequentes.
Benefícios e opiniões de especialistas
O principal objetivo é reduzir a mortalidade e, potencialmente, o número de novos casos de câncer colorretal, que muitas vezes não apresenta sintomas precoces como sangramento visível. No Brasil, a doença é diagnosticada tardiamente na maioria dos casos, o que reforça a necessidade de rastreamento organizado.
Ao contrário de doenças como o câncer de próstata ou de mama, que a gente faz o rastreamento, mas infelizmente só conseguimos detectar a doença no início, no caso do câncer colorretal, você pode detectar lesões pré-cancerosas. Ou seja, o objetivo principal é diminuir a mortalidade, mas a gente pode conseguir também diminui um pouco o número de novos casos.
— Arn Migowski, Inca
No modelo organizado você convoca ativamente a pessoa que está na faixa etária, e depois disso, ela precisa fazer o seguimento, receber o resultado do exame, ser encaminhada para a colonoscopia, se precisar, passar por atendimento especializado. E depois ela tem que ser reconvocada, quando chegar a vez de fazer o exame novamente. Todas essas questões têm que ser muito bem planejadas.
— Arn Migowski, Inca
O câncer colorretal ou de intestino não costuma apresentar sintomas precoces, pode ocorrer sangramento, mas não costuma ser visível.
— Renata Fróes, Associação de Gastroenterologia do Rio de Janeiro
Os pólipos são protuberâncias, que se assemelham até a pequenos cogumelos e que podem ser retirados por uma pinça que a gente introduz dentro dos colonoscópios. A retirada deles impede a progressão para o câncer.
— Renata Fróes, Associação de Gastroenterologia do Rio de Janeiro
Com a consulta pública iminente, o Ministério da Saúde busca opiniões para refinar a diretriz, potencializando seus impactos na saúde pública brasileira.
