Uma pesquisa da iniciativa Tackle HIV revelou que o estigma social em torno do HIV pode provocar cerca de 440 mil mortes evitáveis no Brasil nesta década, mesmo diante dos avanços científicos e das metas da ONU. O estudo, realizado com 2.006 brasileiros, expõe mitos persistentes sobre risco, testagem e transmissão e foi apresentado durante a 26ª Conferência Internacional de Aids, no Rio de Janeiro.
Os dados, referentes a 2025, mostram aumento de casos no país e indicam que o preconceito continua a afastar pessoas da prevenção e do tratamento. O governo federal manifestou interesse na PrEP injetável em 28 de julho de 2026, mas especialistas alertam que o estigma limita o alcance dessas ferramentas.
Estigma limita avanços científicos
O ex-jogador Gareth Thomas, porta-voz da iniciativa, destacou que o preconceito gera medo de testar, de iniciar medicamentos e de conviver com pessoas que vivem com HIV. Segundo ele, isso impede que a população aproveite os benefícios dos tratamentos atuais.
Esse estigma traz impactos enormes para a sociedade em geral: seja o medo de fazer o teste, o medo de tomar os medicamentos ou o medo criado pelo preconceito de conviver com pessoas que vivem com HIV
Gareth Thomas
Pesquisa orienta ações locais
A Tackle HIV realiza levantamentos em cada novo país ou região para identificar grupos prioritários e adaptar suas campanhas. Thomas reforçou que um diagnóstico positivo não representa mais uma sentença de morte graças aos avanços da medicina.
É fundamental passar a mensagem importante de que receber um teste positivo, com todos os avanços da ciência e da medicina, não é mais uma sentença de morte. Testar positivo significa que você pode começar o tratamento assim que receber o diagnóstico e viver uma vida normal, feliz e saudável, sem limitações mentais ou físicas causadas pelo vírus
Gareth Thomas
Especialistas defendem que combater o estigma é essencial para atingir as metas de eliminação da epidemia até 2030 e para garantir que mais brasileiros tenham acesso à testagem e ao tratamento adequado.
